Relatos Inofensivos, Volume 9 - Casa de Praia, Parte 1
Logo que chegamos em casa (do conto anterior) tivemos uma longa e extensa conversa. Eu contei o que Ricardo tinha me perguntado, e repassei a pergunta.
— Até onde você iria? — Perguntei durante a conversa.
— Até onde fosse confortável.
— Você estaria confortável a tudo?
— Depende do momento, amor, não da pra falar assim.
— Vou mudar a pergunta. Você transaria com ele? — Ela pensou um pouco.
— Sim, mas não sozinha, você teria que estar pelo menos no quarto.
— E os dois ao mesmo tempo? — Ela pensou mais um pouco.
— Acho que sim, depende do momento. Como você se sentiria com tudo isso?
— Se eu te apoiar em transar com ele sozinha, você tem que me apoiar transar com a Vanessa sozinho.
— De acordo.
— E sobre camisinha?
— Mantém o combinado, nada mudou. Só faço sem se ele fizer todos os exames, e a gente também.
Foi uma conversa bem mais extensa que isso, mas esse foi o resumo. Marcamos os exames e fizemos. Não falei nada com o Ricardo, a Vanessa sabia de todas as nossas precauções e deveria ser comentado entre eles. Fizemos todos os exames e pegamos os resultados. Tudo em ordem do nosso lado.
Depois de receber o convite de Ricardo, logo mostrei para Karina e ela topou ir. Combinamos tudo direitinho para passar o Réveillon e concordamos de levar o dinheiro e comprarmos tudo juntos. Ele também buscou a gente de carro para irmos, a casa de praia ficava em outra cidade e precisavamos de viajar para chegar lá. Pegamos a estrada cedo, na manhã de sexta-feira, dia 29. Iriamos voltar só dia 4, porque meu aniversário é dia 3, e íamos comemorar lá também.
Montamos uma mala grande pra nós dois, com tudo que poderiamos precisar. Karina também levou um pacote embrulhado, que era meu presente, mas ela não me disse o que era e disse que só me daria no meu aniversário.
O trânsito estava caótico. Tivemos que passar por duas cidades para chegar lá. Eu e Karina no banco de trás e Vanessa e Ricardo na frente. Vanessa prestava mais atenção na estrada que na gente e nós dois fomos conversando sobre assuntos aleatórios. No meio da viagem, Karina ficou com sono e resolveu dormir no meu ombro. Eu coloquei um fone e fui escutando uma música de olho fechado. Nem notei quando chegamos.
A casa de praia dele ainda estava em construção, porque seria onde o pai dele futuramente moraria, mas o piso principal já estava pronto, com dois quartos e um banheiro. Era uma casa grande, apesar de tudo, tinha um quintal enorme, uma churrasqueira e uma piscina pequena (se colocar quatro hidros de 5 pessoas em um retângulo, era mais ou menos esse tamanho, talvez menor, só para banho e relaxar mesmo, não nadar). Toda essa área ficava atrás de uma curva, e tanto a entrada da casa como essa área precisava de um caminho para chegar, então não da pra ouvir e nem ver nada da rua. Tinha muros bem altos também, então os vizinhos nao conseguiam espiar.
A casa estava toda fechada e bem empoeirada, com varias aranhas e insetos. A geladeira estava desligada, não tinha absolutamente nada na casa, alem de um saco de papel higienico, um detergente e uma buxa, além dos moveis e utensílios como vassoura, pratos, panelas e talheres. Pelo menos a piscina estava limpa, porque recentemente veio alguém limpar, só precisava catar as folhas, porque tinha uma mangueira (pé de manga) gigante na área. Concordamos então das meninas limparem a casa e eu e Ricardo irmos comprar as coisas.
Fizemos a lista e saímos. Essa era uma época que eu comecei a trabalhar pro meu pai, fazendo uns favores pagos a ele, e eu não gastava tanto além do cigarro, então tinha muito dinheiro. Ricardo já tinha 22 e trabalhava. Resolvemos fazer compras para todos os dias de uma vez só, no lugar de ir dia a dia comprar carnes e bebida. Compramos tanta coisa que precisamos de duas viagens com carrinhos de compra para levar tudo, mas teria fartura de bebida e comida. Compramos até coisas pra fazer outros tipos de comida se enjoasse de churrasco.
Demoramos pouco mais de três horas pra voltar, o mercado era longe, o trânsito estava ridiculo e a fila do mercado era inacreditável. Quando chegamos, as meninas estavam de biquíni, deitadas com a bunda pra cima, nas bordas da piscina. Karina deitada numa tanga, sem as alças do biquini, fazendo um topless de barriga para baixo. Vanessa estava apoiada nos cotovelos, com as penas um pouco abertas pra pegar sol, bem à vontade, já que ninguém conseguia ver nada. Quando chegamos, Karina colocou a alça do biquíni e elas vieram ajudar, ligando o freezer e as geladeiras, guardando tudo.
Peguei uma cerveja gelada, que compramos algumas no bar próximo à casa, coloquei um cigarro na orelha e levei o carvão para churrasqueira. Comecei a preparar ali o churrasco, e Ricardo foi organizar a música, enquanto as meninas viam o que compramos e organizavam a comida para os dias que ficaríamos. Karina fazia algum coisa relacionada a logística na escola técnica, então ela fez tudo bem rápido. Quando elas voltaram, voltaram a pegar sol, também com as cervejas.
— Vocês querem ouvir o que? — Ricardo pegou uma caixa de som gigante de dentro da casa e conectou a um fio no celular.
— Coloca Rouge. — Respondi rindo. — Só pra strondar.
Ele riu e colocou, com a música no talo. Todos rimos muito, e eu com meu cigarro e minha cerveja fiz a melhor dança de tiozão que eu conseguia, fazendo todos rir mais e rendendo um vídeo lendário da deep web. Quando a música estava acabando, Ricardo trocou para um Charlie Brown Jr, e ficamos ali curtindo e bebendo. No caminho de volta do mercado, vimos que iam ter alguns shows na balada da cidade, no ritmo da virada de ano, nos organizamos e decidimos ir em quase todos os dias.
O dia foi passando, e no fim da tarde estávamos todos na piscina, conversando, bebendo e fumando. Nessa estadia na casa, Ricardo começou a fumar por influência minha, mesmo eu dizendo a ele pra não fumar. Eu tinha começado a fumar porque era jovem e achava que tinha muitos problemas, mas eu só queria ser popular e não queria ser o quadradão do grupo, mas agora já era tarde para parar. Se ficasse mais de 5 horas sem cigarro eu começava a passar mal, suando frio e hiperventilando, e também começava a ter problemas sérios de temperamento, ficando super explosivo e afetado e eu não queria isso pra ninguém, mas ele fumou mesmo assim.
Dentro da piscina, Karina ficava na minha frente, com a bunda encostada em mim e deitada no meu ombro, e Vanessa fazia o mesmo com Ricardo. Eu fiz um cinzeiro improvisado em uma garrafa transparente à pedido de Karina, para ela me mostrar o que eu colocava no corpo. Ela não me pedia para parar, mas me alertava que fazia muito mal.
Mais tarde, depois de tomarmos banho, eu estava do lado de fora da casa, deitado em uma cadeira de Sol, observando as estrelas, fumando um cigarro e bebendo cerveja. Eu tinha esquecido como era o céu estrelado, tanto tempo que eu não conseguia ver. Quando todos ficaram prontos, saímos de casa e fomos para a balada. A cidade em que a casa ficava não era grande, dava para ir andando para todos os lugares, no máximo meia hora de distância da casa, e a balada ficava a uns 10 minutos. Parei no caminho para comprar um maço de cigarro extra, porque estava acabando, e fomos. Era um show de uma banda local um tanto famosa no estado, todos conheciam as músicas, e a origem deles é a cidade que estávamos e suas músicas também eram sobre a cidade. Curtimos o show, com bastante bebida. Depois, na volta para casa, Ricardo estava bem empolgado, e mostrou que tinha comprado dois baseados.
Eu e Ricardo já tinhamos fumado junto e curtíamos, mas Karina é Vanessa nunca tinham fumado, mas estavam curiosas para provar. Chegamos em casa e fomos para o terceiro andar, ainda só no concreto, da casa, não tinham janelas e estava super empoeirado, mas tinha uma brisa gostosa e dava pra ver as estrelas. Era um point perfeito para a brisa.
Todos fumamos, passando o baseado, e a próxima coisa que me lembro era de estar dentro da casa, com cigarro aceso, queimando o dedo. Estávamos jogando baralho e eu comentei:
— Vai ter prenda dessa vez? — Falei mais pra provocar do que causar qualquer coisa.
— Vai. — Vanessa sorriu de volta com uma cara de quem estava com planos.
Jogamos uma partida e perdemos. Minha prenda, dada por Ricardo, foi dar a tragada mais longa da minha vida no cigarro. Quase morri de tanto tossir depois. A prenda de Karina, dada por Vanessa, era me dar um chupão no pescoço. Vanessa era ardilosa, ela sabia que o pescoço era meu ponto fraco. Logo que Karina terminou, meu pau já estava duro. Não lembro de muita coisa depois disso, apenas flashs. Lembro de estar de pé, de pau duro dentro da bermuda, e Vanessa apalpando e apertando por cima da roupa. Depois lembro de ver todo mundo sem roupa nenhuma. Depois eu lembro de ter trocado as duplas, então Karina veio sentar do meu lado, mas estava pelada, e Vanessa também. Depois me lembro de Karina sentando no meu pau no banco, na frente de Vanessa e Ricardo que masturbavam um ao outro.
Nesse ponto, eu lembro de tudo em diante. Segurei Karina pelo quadril, e tirei ela, me levantei e sai da casa. Karina veio preocupada atrás de mim me chamando pelo nome, mas eu apenas deitei na cadeira de sol, sem ar. Karina me trouxe um cigarro e acendi, tentando respirar, porque eu estava tremendo muito. Ela sentou na minha frente perguntando se eu tava bem e eu comecei a chorar.
— Desculpa amor, to muito doido, não lembro de nada da noite, nem de quando tiramos as roupas ou de qualquer coisa que aconteceu entre tirar as roupas e transar com você. Não consigo fazer isso hoje, tem que ser um pouco mais sóbrio.
Mal terminei de falar, mas não lembro de muita coisa depois disso, nem da resposta de Karina. Lembro só de acordar no outro dia, castigado pelo sol, com Karina dormindo no meu ombro, nós dois pelados. Primeira coisa que eu fiz foi tentar pegar um cigarro, só tinha um no maço. Não me importei e o acendi. Karina acordou, me dando um beijo no rosto.
— Você tá melhor? — Ela perguntou. Eu tava com uma dor de cabeça indescritível. Olhei para o chão e tinha um litro de água e um balde cheio de vômito.
— Não lembro muita coisa. E você? — Perguntei de volta.
— Lembro de tudo. Quer que eu te conte? — Balancei a cabeça que sim.
Ela me contou uma história bem longa e detalhada, que eu não acreditaria se não lembrasse de nada.
Depois de fumar o baseado no terraço, descemos as escadas e eu caí, ralando a perna e a mão. Quando chegamos lá em baixo, entramos na piscina para curtir a onda e ali eu comecei a ficar muito doido. Mergulhei o maço de cigarro falando que era impermeável e me desesperei quando eles não acendiam. A sorte era que eu tinha cigarros reserva para emergência, e era os que eu estava fumando a noite toda. Eu tinha cinco na mochila. A gente saiu da piscina e fomos jogar baralho por sugestão de Ricardo e eu disse que só jogaria se tivesse prenda. No meio do jogo, fumei dois cigarros e deixei um queimar por completo sem fumar, que foi quando queimei o dedo. Começamos a jogar, mas eu tinha esquecido todas as cartas e fiz muita jogada errada. A primeira prenda foi a da puxada de cigarro e do chupão. Depois a prenda da Vanessa, dada por Karina, era de dar uma apertada no meu pau já que ela não tirava o olho do volume, e a prenda que eu dei para Ricardo foi apalpar o peito de Karina, e eu fiquei me gabando de como ela era gostosa. Então eu e Ricardo começamos a debater qual das duas era mais gostosa, e fomos cortados pelas duas, que era um papo meio sem noção, Karina me disse nesse momento que ficou muito brava comigo porque eu estava a ponto de quebrar um combinado, mesmo com ela pedindo pra parar, e eu só parei quando ela deu um tapa forte na mesa para chamar atenção. Depois disso eu comecei a avacalhar o jogo e Ricardo foi na onda, sem olhar a mão e pedindo truco até subir pra “Doze”, e jogava as cartas na sorte, sem olhar. Ganhamos algumas e perdemos algumas assim, e as prendas eram sempre tirar peças de roupas, até que todos ficaram pelados. Só que no truco, os parceiros sentam em lados opostos da mesa, alternados, e numa mesa retangular, minha parceira estava do outro lado, entao quem estava do meu lado era Vanessa e Karina estava do lado de Ricardo. Quando todos estávamos pelados, eu fiquei alisando as penas da Vanessa e ela começou a lentamente subir meu braço pra buceta dela, e o Ricardo começou a alisar as pernas de Karina em resposta e também subia a mão. Ela falou que ficou desconfortável com a situação, mais do Ricardo nela do que eu em Vanessa, só porque todos estavam fora de si, principalmente eu e Ricardo, e pediu para trocar as duplas. E depois eu e Vanessa ganhamos e a prenda de Karina foi sentar em mim, dada por Vanessa. Depois disso eu saí, passando mal, porque tava muito tempo sem fumar, e ela sabia, me levando um cigarro. Lá fora eu expliquei que estava desconfortável com a situação e ela tinha entendido que eu tava muito mal e buscou o balde. Ela disse que eu fiquei viajando, filosofando sobre as estrelas no céu e como que alienígenas existem, e ela riu muito. Depois de um tempo, eu busquei o balde e desmaiei várias vezes, vomitando muito. Depois que eu dormi, ela dormiu comigo ali, no lugar mais desconfortável possível, só para cuidar de mim, com a água. Ela não tinha dormido nem quatro horas, e eu tava apagado há umas seis.
— Então esse é meu ultimo cigarro? — Perguntei.
— Te contei uma história gigante e é sua única preocupação? — Ela olhou desacreditada.
— Claro que não, mas é a mais imediata. Mas desculpa por falhar em cuidar de você. Depois vou falar com Ricardo que todos passamos do ponto e me desculpar com os dois.
Ela me deu um selinho de bom dia, dizendo para escovar os dentes e lavar a boca que eu tava cheirando a vômito. O fiz e depois voltamos para o quarto e dormimos na cama, abraçados, até as 3 da tarde.
E assim se encerra o primeiro dia na casa.


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