Maio 7, 2026

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Deixa eu assistir

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O quarto estava uma zona. Lençois embolados jogados pelo colchão, corpos exaustos entrelaçados, tentando recuperar o fôlego. Eu ainda sentia o calor úmido dele escorrendo devagar dentro de mim. Tentei me mexer para ir ao banheiro, mas a preguiça foi maior. Em vez disso, ficamos ali, trocando carícias: dedos traçando linhas lentas na pele suada.

Foi quando ele quebrou o silêncio:

— Ontem… sabe? Me deu um puta tesão quando te vi se esfregando no seu namoradinho ali na piscina.

Arregalei os olhos, dividida entre o riso que subia pela garganta e uma surpresa genuína. Não sabia se ele falava sério ou se só queria me provocar. A ideia, desde o começo, era apenas deixá-lo com ciúmes.

— Tá zoando, né? — virei de lado, encarando ele, ainda tentando entender qual era a dele com esse tipo de comentário.

Mas o olhar dele não entregava nada. Podia ser ciúme disfarçado, deboche puro ou só mais uma provocação. Ele se virou devagar para mim e, como se comentasse o tempo, disse:

— Sério. Fiquei de pau duro na hora.

Fez uma pausa curta. Sustentou meu olhar com um jeito tranquilo, quase cruel, e soltou:

— Sabe o que me deu vontade mesmo?

A curiosidade me pegou desprevenida. A última coisa que eu esperava era que ele tivesse ficado excitado com aquilo.

— O quê?

— Eu quero ver você dando pra ele.

Sentei na cama num impulso, o corpo ainda mole contrastando com a onda de surpresa e indignação que subiu pelo peito. Olhei para ele de olhos arregalados, torcendo no fundo para que fosse só mais uma brincadeira.

— O quê, Diego? Você quer me ver dando pro Rodrigo?

Ele esboçou aquele sorrisinho torto, safado, carregado de intenções que eu conhecia muito bem.

Diego abriu a boca devagar, as palavras saindo arrastadas, como se as provasse antes de soltá-las. A voz baixa, quase tremia de excitação, pulsando contra minha pele.

— É. Você disse que ele é carinhoso… fiquei curioso. Quero ver como ele te come. Se ele te dá uns tapas… porque comigo você adora, né?

O ar ficou pesado no quarto. Meu corpo inteiro gelou de repente — um frio que subiu da barriga até a nuca e me deixou paralisada. Boca entreaberta, sem ar, sem palavras.

As lembranças dele me invadiram na hora: o peso do corpo me prendendo contra o colchão, mãos firmes nos pulsos, tapas que ardiam na pele e faziam meu sexo se contrair de prazer e dor misturados. Ele sempre soube exatamente onde me levar, até o limite onde eu tremia inteira e implorava por mais.

— Responde, Rafa — ele pressionou, o olhar cravado no meu, tão intenso que parecia queimar.

A voz saiu rouca, quase sem querer:

— Sim… eu gosto.

Ele sorriu devagar, aquele sorriso torto e perigoso que sempre me desarma. As palavras já pareciam prontas na ponta da língua. Ele se aproximou mais, o calor do corpo me envolvendo como uma onda lenta e sufocante. A presença dele era física, dominadora, roubando o oxigênio do quarto. Colou a boca bem no meu ouvido, o hálito quente e úmido roçando a pele sensível, disparando um arrepio pela espinha.

— Então deixa eu assistir. Só assistir. Faz isso por mim?

Meu coração disparou com tanta força que ecoava nos ouvidos, um tambor descontrolado. A respiração travou no peito, curta e rasa. O corpo inteiro ficou tenso, rígido, como se qualquer movimento pudesse fazer aquela ideia explodir dentro de mim. Fechei os olhos com força, tentando empurrar tudo para longe, mas a imagem veio inteira na minha cabeça: eu deitada, pernas abertas, o corpo de Rodrigo se movendo sobre o meu, gemidos que eu não conseguiria segurar, e Diego ali, no canto do quarto, olhos escuros fixos em cada detalhe, em cada tremor, em cada suspiro que escapasse da minha boca.

O silêncio entre nós era muito pesado nessa hora. Eu sentia o cheiro dele misturado ao cheiro de sexo que ainda pairava no ar, a coxa quente encostada na minha, o pulsar lento entre minhas pernas que traía o quanto aquela loucura já mexeu comigo. Não respondi. Não conseguia. Só fiquei ali, olhos fechados, coração martelando, corpo vibrando com uma tensão que era metade medo, metade desejo puro e incontrolável.

Eu estava molhada. Muito. Encharcada só com a ideia, com a possibilidade de ser desejada e possuída por dois ao mesmo tempo. Desejada. Tomada. Dominada. O calor subia devagar entre as pernas, um pulsar lento e insistente que traía cada pensamento que eu tentava afastar.

Pensei em dizer não, de verdade. Abri a boca para formar a palavra, mas ela morreu na garganta.

Diego sempre soube como me dobrar. Com aquela voz baixa, segura, quase hipnótica. Ele colou o corpo quente no meu, pele ainda úmida de suor roçando na minha, e deslizou a mão devagar pela curva da cintura. Dedos firmes, quentes, traçando um caminho preguiçoso até a base das costas, me puxando mais para perto até não restar nenhum espaço entre nós.

Colou a boca no meu ouvido, o hálito morno roçando a pele sensível, e sussurrou rouco:

— Faz isso por mim… vai?

Minha pele inteira arrepiou. Um arrepio longo e elétrico desceu pela nuca, pelos ombros, pelas costas, até se instalar bem no fundo do ventre. Senti os mamilos endurecerem contra o peito dele, o sexo se contrair involuntariamente, vazio e faminto ao mesmo tempo. O cheiro dele me invadiu: suor, sexo, aquele perfume amadeirado que eu conhecia de cor e que sempre me deixava fraca.

Fechei os olhos com força. Tentei respirar fundo, mas o ar saiu trêmulo, entrecortado. Meu coração batia tão forte que eu sentia cada pancada ecoando no peito, na garganta, nas têmporas.

Não respondi com palavras. Não consegui.

Em vez disso, virei o rosto devagar até encostar os lábios na curva do pescoço dele. Beijei ali, leve, quase uma rendição. Senti o pulso acelerado sob minha boca, o gosto salgado da pele, e soube que ele entendeu.

Porque Diego sempre entendia.

E eu, no fundo, já estava dizendo sim.

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