Maio 7, 2026

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A vizinha da Janela

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Eu havia me mudado para um apartamento maneiro e a vi pela primeira vez depois de uma semana. Era de manhã, o sol já clareava tudo e já estava forte. Meu apartamento, oferecia uma vista privilegiada para a torre da frente, um monólito moderno que abrigava centenas de vidas anônimas. A dela, no entanto, deixou de ser anônima no momento em que a vi, uma janela diretamente oposta à minha. Ela era Jeny. O nome, eu soube depois, conversando com um porteiro tagarela. Naquela manhã eu olhei de relance para a janela e a vi do outro lado, ela estava apenas de costas. O tecido leve de seu vestido de seda deslizava pelo corpo como água, revelando as curvas sutis de sua cintura e a linha elegante de seus ombros. Eu estava com um livro nas mãos, mas as palavras se dissolveram, substituídas por uma curiosidade crescente, um magnetismo silencioso que me puxava para a janela. Não era a curiosidade vulgar de um bisbilhoteiro. Pelo menos, não a princípio. Era mais uma admiração estética, a apreciação de uma forma em movimento, um estudo de luz e sombra. Ela parecia não se importar com a janela aberta, com a possibilidade de olhos curiosos. Ou talvez, é essa a ideia que me causava um arrepio sutil, talvez ela se importasse, mas de uma maneira diferente. Como se a janela fosse um palco, e a cidade, sua plateia invisível. Com o passar dos dias, Jeny se tornou um ritual. Às vezes, ela estava lá, outras não. A incerteza tornava a espera ainda mais doce, a recompensa da sua aparição, um presente inesperado. Eu aprendi seus horários, seus hábitos. O momento em que ela chegava do trabalho, o som distante de uma música suave que flutuava pela noite, a maneira como ela prendia o cabelo antes de se despir. Sempre com uma lentidão deliberada, um despojamento que era mais arte do que necessidade.

Ela sempre se mostrava completamente. Havia sempre um celular em suas exibições, alimentava a minha imaginação. Será que é a profissão dela? Será que ela se exibia para seu namorado? Eu me sentia um cúmplice silencioso, um guardião de seus segredos luminosos. Minha respiração se tornava mais rasa, o coração batia em um ritmo diferente, um tambor surdo na quietude do meu apartamento. Uma noite, ela estava sentada em seu sofá perto da janela, lendo. A luz do abajur caía sobre seus cabelos cacheados e marrons, criando um halo dourado. Ela usava apenas uma camisola de seda, que se moldava ao seu corpo como uma segunda pele. De repente, ela levantou os olhos do livro e olhou diretamente para a minha janela. Meu coração deu um salto. Ela me viu? Era possível? Eu me encolhi, instintivamente, como um animal pego em flagrante. Mas ela não desviou o olhar. Seus olhos, mesmo à distância, pareciam penetrar a escuridão do meu quarto, buscando algo, ou alguém. Um sorriso tênue, quase imperceptível, surgiu em seus lábios. Um sorriso que não era para o livro, nem para o vazio. Era para mim. Eu senti o calor subir pelo meu rosto, uma mistura de vergonha e excitação. Naquele momento, o jogo mudou. Não era mais apenas observação. Era uma dança, um convite silencioso, uma promessa suspensa no ar noturno entre as duas janelas.

Naquela noite, eu não consegui dormir. A imagem do sorriso de Jeny, a sensação de ter sido visto, de ter sido reconhecido em minha silenciosa devoção, reverberava em mim. No dia seguinte, a rotina se quebrou. Eu não me aproximei da janela com a mesma discrição de antes. Havia uma nova ousadia em meus movimentos, uma expectativa que antes não existia. E ela, por sua vez, parecia responder a essa mudança. Seus movimentos se tornaram mais lentos, mais deliberados, como se cada gesto fosse uma palavra em um diálogo mudo que se desenrolava entre nós. As luzes de seu apartamento, antes um farol solitário, agora pareciam um convite. Eu me pegava imaginando a textura de sua pele sob a seda, o cheiro de seu perfume, o som de sua risada. Detalhes que eu nunca poderia saber, mas que minha mente preenchia com uma vividez quase palpável. A distância física entre nós era imensa, mas a proximidade que se criava através daquele jogo de olhares e insinuações era avassaladora. Era uma intimidade construída sobre a ausência, sobre o que não era dito, mas ardentemente sentido.

Uma noite, a chuva caía torrencialmente, lavando a cidade e embaçando as janelas. Eu estava na minha, observando as gotas escorrerem, quando a luz do apartamento de Jeny se acendeu. Ela estava lá, de pé, perto da janela, com as mãos apoiadas no vidro, vestindo sua regata branca e calcinha preta. Ela não estava se movendo, apenas observando a chuva, como eu. Nossos olhares se encontraram através do véu de água. Não havia sorriso desta vez, apenas uma intensidade que me prendeu. Seus olhos, que eu agora percebia serem de um castanho profundo, pareciam me despir, não com malícia, mas com uma curiosidade tão profunda quanto a minha. Naquela noite, ela não se afastou. Permaneceu ali, a mão no vidro, os olhos fixos nos meus, até que a chuva diminuiu para um chuvisco suave. Eu fiz o mesmo. Foi um pacto silencioso, uma ponte invisível construída entre nós. Nos dias que se seguiram, a dança se tornou mais ousada. Pequenos gestos, quase imperceptíveis para qualquer um que não estivesse procurando. Um aceno discreto, um sorriso mais aberto, um piscar de luzes que eu comecei a interpretar como respostas. Eu me pegava sorrindo para o vazio do meu apartamento, antecipando o próximo movimento dela, a próxima insinuação.

E essa insinuação veio em uma tarde aonde eu olhei de relance para a janela e lá estava ela, escorada com os braços na janela. Me esperando, talvez? E sim, estava me esperando. Eu descobri da melhor forma, quando olhei diretamente para ela. Ela acena para mim e pede para esperar, ela estava vestindo uma camisa polo azul marinho com um conjuntinho de academia por baixo marrom. Ela pegou o celular e começou a bater umas fotos de frente para o espelho de sua sala, as duas primeiras fotos foram normais, a terceira desabotoo sua camisa e abaixou seu top revelando seus peitos, a quarta ela tira sua camisa e seus shorts revelando sua calcinha branca, na quinta ela se vira e mostra sua bunda, na sexta ela se senta no sofá colocando sua calcinha de lado mostrando sua bocetinha peludinha e na última ela fica completamente nua. Sua plateia invisível agora tinha um espectador visível para ela. Então ela olha para mim, dá um sorrisinho tímido e fecha a cortina.

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