Junho 1, 2026

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O dedo no gatilho e a reunião online

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Estivemos juntos tanto tempo e ainda hoje temos vergonha de falar de sexo. Quando calhava falarmos, era mais frequente comentares coisas de que não gostas em vez de dizeres algo como: “quero que me faças isto, ou quero fazer-te aquilo.” Não tenho fantasias, dizias. Para os meus botões ficava chateado e triste, porque sabia que isso não poderia ser verdade. Todos temos fantasias. E tu simplesmente não confiavas em mim para as revelares. Talvez nem em ti própria confies. Não te permites a leviandade do prazer e sei agora que depois de tanto tempo, não será a mim que vais abrir essa porta.

Chateia-me profundamente, porque não consegui vencer as tuas defesas, em igual medida permaneço imensamente curioso sobre o que não me contaste, ou aquilo que nunca te permitiste pensar. É voyeurista o meu interesse e imatura a minha reação à exclusão a que me remeteste da tua intimidade, sei disso. E eu? Terei sido completamente honesto contigo? Terei alguma vez exposto os meus desejos a nu, à mercê do teu julgamento?

Um dia contaste que detestas a ideia de uma mulher de joelhos a fazer um broche a um homem de pé. Eu até percebo, é uma imagem profundamente patriarcal. Uma mulher ajoelhada perante um homem e tudo o que isso implica. Mas aposto, que no teu imaginário essa mesma situação surgiu sem que o conseguisses impedir. Como qualquer outra coisa que reprimimos. Num sonho, ou no banho, numa sala de espera. Essa imagem surgiu-te. E mais, tenho a certeza que a alimentaste e a ela voltaste numa qualquer noite de insónia.

O desconforto, a vergonha têm um alto teor erótico e a partir desse momento tornou-se imediatamente uma fantasia para mim. Ainda assim nunca foi algo que persegui. É uma fantasia como qualquer outra, mas contigo, a partir do momento em que a mencionaste passou a ser algo desafiante. E agora nunca se irá cumprir, pelo menos completamente.

Certa manhã, atrasado já não sei para o quê, corria pela casa feito um tonto. Banho tomado, tronco nu, calças desabotoadas, torradas esquecidas, café a esfriar algures. Cheiras bem, disseste quando passei na sala. Compraste um perfume? Estavas sentada à mesa de jantar, laptop aberto à espera que começasse uma reunião de trabalho. Olhaste para mim e estavas tão bonita, maquilhada, com uma trança ao ombro e vestida com uma camisa branca e uma camisola azul por cima. Não sei porquê, fico excitado quando te vejo assim feita executiva. Esticaste a mão, puxaste-me para ti e cheiraste os meus abdominais. Ah! É o sabão que compraste na feira. Disseste satsifeita com a descoberta. Não tens mesmo noção do efeito que tens em mim, pois não? Resolvi baixar os boxers e mostrar-lhe como tinha ficado grande, sem estar erecto. Olha. Esbugalhaste os olhos. Preocupada que se visse alguma coisa pela câmara do portátil. A reunião nem sequer começou. Sai daqui.

Não saio. Agora vais ter que me chupar. Só uma vez! Vá lá. satisfaz-me esta fantasia. Antes que a reunião comece. Esticaste a mão para me afastar, mantendo os olhos no ecrã. Aproximei-me da mão dela e agarraste o pénis “sem querer”. Só uma vez. Passaram uns segundos. Não tiravas os olhos do ecran. Mas também não me largavas o pénis da mão que só de sentir a indecisão que te melindrava ia crescendo entre os teus dedos. Só uma vez, repetiste, estabelecendo as regras. Chupaste-me realmente apenas uma vez. Tiraste-me da boca e olhaste para o meu pénis durante alguns segundos. Para minha surpresa voltaste a chupar-me e a tirar-me de novo da boca. Repetiste este movimento várias vezes. E era divinal, porque parecia que dizias a ti própria, é só mais uma vez. Mas depois não te continhas e chupavas-me novamente. Como se fosse um gelado que não conseguias parar de saborear.

Sexo oral era relativamente comum entre nós. Mas nunca te tinha sentido chupar com tanta vontade. Esta fantasia parecia também ter um efeito em ti. Plim. Plim. Plim. Do computador surgiu o som das pessoas a entrarem na Reunião online. Sem pânicos, continuaste a chupar-me mais umas vezes e depois afastaste-me com o olhar. Estava tão excitado que me sentei no sofá diante de ti e comecei a masturbar-me, enquanto ainda limpavas os cantos da boca.. Era algo que não era mesmo nada comum fazermos diante do outro, mas toda a situação desinibiu-me. A reunião começou, tentavas manter a compostura. Agarrei numa t-shirt de um monte de roupa dobrada e vim-me, fixo nos teus olhos. Tu rubra de vergonha espreitavas por detrás do ecrán.

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