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Novembro 5, 2026

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Novembro 5, 2026

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Não era para você aceitar

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A confraternização da empresa começaria oficialmente na sexta-feira, mas boa parte do time já tinha chegado ao hotel fazenda na quinta à tarde. Até o início da noite, o lugar estava tomado por malas nos corredores, gente procurando os próprios quartos, grupos se formando perto da piscina e colegas que passavam o ano inteiro se falando por videochamada finalmente ocupando a mesma mesa.
Vinicius, Olivia e Bianca circulavam entre todos eles.
Paravam para conversar, entravam nas rodas, aceitavam convites para beber alguma coisa e desapareciam por alguns minutos em grupos diferentes, mas acabavam se encontrando de novo sem combinar. Às vezes porque um dos três mandava uma mensagem. Às vezes porque Bianca surgia no meio de uma conversa e puxava Olivia pelo braço. Outras porque Vinicius olhava ao redor procurando os dois rostos que conhecia melhor do que qualquer outro ali.
Naquela primeira noite, depois do jantar, o salão principal continuava cheio. Alguém tinha colocado música perto do bar, algumas pessoas jogavam sinuca, outras já começavam a ocupar as mesas da varanda com garrafas trazidas de sabe-se lá onde.
Bianca apareceu ao lado de Vinícius enquanto ele conversava com duas pessoas de outra área.
— A Olivia achou vinho.
Ele olhou para ela.
— Isso é um convite ou uma denúncia?
— Depende. Você vem?
Vinicius terminou a conversa alguns minutos depois e encontrou as duas perto da escada que levava aos quartos. Olivia segurava a chave do apartamento e tentava convencer Bianca de que não tinha escondido garrafa nenhuma.
— Eu falei que tenho vinho — disse Olivia. — Não que contrabandeei vinho.
— Qual a diferença?
— Eu trouxe na mala.
Vinicius acompanhou as duas pelo corredor.
— Isso melhora muito a situação.
Olivia abriu a porta.
— Você pode voltar para a festa.
— Depois de subir dois andares?
— Um andar.
— O esforço emocional foi de dois.
Bianca riu e entrou primeiro.
O quarto das duas já tinha perdido qualquer aparência de hotel. Uma mala permanecia aberta perto da cama, roupas ocupavam metade de uma poltrona e havia produtos de maquiagem espalhados sobre a bancada ao lado do espelho.
Olivia se abaixou diante da própria mala e começou a afastar algumas peças até encontrar a garrafa.
— Achei.
— Parabéns — disse Vinicius.
— Você não merece.
— Eu subi um andar.
— Ainda nisso?
Bianca sentou na beirada da cama.
— Ele vai repetir isso até amanhã.
Olivia procurou o abridor na bolsa enquanto Vinicius se encostava na bancada.
— Você trouxe abridor de vinho para a confraternização da empresa?
— Eu gosto de estar preparada.
— Isso é preocupante.
Ela finalmente encontrou o objeto e mostrou para ele.
— Está com inveja.
— Um pouco.
Bianca pegou três copos de plástico que tinham vindo com algumas garrafas de água do hotel.
— Alta gastronomia.
Olivia serviu o vinho e entregou um dos copos a Vinicius.
Os três retomaram assuntos que já tinham começado lá embaixo. Comentaram sobre o jantar, reclamaram da apresentação marcada para a manhã seguinte e tentaram adivinhar quem apareceria atrasado no café depois de passar a noite bebendo.
Bianca imitou um dos colegas com tanta precisão que Olivia precisou apoiar o copo na mesa de cabeceira para não derramar vinho no lençol.
— Para! Eu não consigo mais olhar para ele depois disso.
— Você já não conseguia antes — disse Vinicius.
— Agora ficou pior.
— Culpa sua por prestar atenção demais — respondeu Bianca.
Vinicius procurou onde sentar e encontrou uma poltrona parcialmente soterrada pelas roupas das duas. Pegou uma blusa que estava sobre o assento e a ergueu entre os dedos.
— Isso aqui tem dono?
— Tem — respondeu Bianca. — E está olhando para você.
— Então a dona precisa aprender a usar um armário.
— Você está no meu quarto.
— Tecnicamente, é um quarto de hotel.
— Que eu estou usando.
Vinicius jogou a blusa sobre a cama.
— Pronto. Problema resolvido.
Bianca pegou a peça antes que ela atingisse Olivia.
— Você é muito folgado.
— Eu sou prático.
Olivia, que ainda ria, olhou para ele por cima do copo.
— Prático nada. Você fala como se tivesse coragem para qualquer coisa.
Vinicius virou o rosto para ela.
— Tenho.
— Não tem.
— Quer testar?
Olivia soltou uma risada curta.
— Você sempre faz isso.
— Isso o quê?
— Fica se achando quando alguém te provoca.
— Não estou me achando. Só estou dizendo que você não vai conseguir pensar em nada que eu não faria.
Bianca levantou as sobrancelhas.
— Ih.
Vinicius apontou para ela.
— Nem começa.
— Eu não falei nada.
— Mas pensou.
Olivia apoiou o copo na mesa de cabeceira.
— Então tá.
Ela levou alguns segundos pensando, ainda com aquele sorriso de quem não pretendia levar nada daquilo muito a sério.
— Tira a roupa.
Vinicius olhou para ela.
Bianca começou a rir antes de qualquer resposta.
— Pronto. Acabou a valentia.
Olivia cruzou os braços.
— Eu falei.
Vinicius continuou olhando para ela.
— Você está falando sério?
— Você disse que eu não conseguiria pensar em nada.
— Eu disse que você não conseguiria pensar em nada que eu não faria.
— Exatamente.
Bianca estendeu a mão, como se encerrasse a discussão.
— Muito obrigada. Já pode admitir que perdeu.
Vinicius colocou o copo sobre a bancada e se levantou.
O riso das duas diminuiu.
Ele segurou a barra da camiseta e puxou-a pela cabeça sem pressa, largando-a sobre a poltrona.
Bianca piscou.
Olivia soltou uma risada, mas havia surpresa misturada nela.
— Vinicius…
— O quê?
— Você é maluco.
— Eu avisei.
Ele abriu o botão da calça.
Bianca levou a mão ao rosto.
— Não. Não, não, não.
— Vocês queriam coragem.
— A Olivia queria — corrigiu Bianca.
Vinicius puxou o zíper.
— Você estava rindo.
— Isso não é consentimento para participar dessa ideia horrível.
Olivia já tinha escondido metade do rosto atrás do copo.
— Eu não achei que você fosse fazer.
Vinicius empurrou a calça pelas pernas e saiu dela, ficando apenas de cueca.
Por alguns segundos, nenhuma das duas disse nada.
Ele olhou primeiro para Bianca, depois para Olivia.
— Mais alguma coisa?
Olivia baixou o copo devagar.
— Você não ficou pelado.
Vinicius sorriu.
— Ah, então agora tem auditoria?
— Você ficou de cueca.
— E você queria o quê exatamente?
Bianca começou a rir outra vez.
— Não responde isso, Olivia.
— Eu só estou dizendo que ele roubou.
Vinicius pegou a própria calça do chão e jogou sobre a poltrona.
— Então faz assim. O resto eu tiro se você ganhar de mim.
Olivia estreitou os olhos.
— Ganhar em quê?
— Qualquer coisa.
— Isso é muito aberto.
— Está com medo?
Ela soltou uma risada desacreditada.
— De você?
— Foi você que começou.
— E vou terminar.
Bianca apontou para os dois.
— Vocês estão levando isso a sério demais.
Vinicius olhou ao redor do quarto até reparar no baralho promocional do hotel sobre a pequena mesa perto da janela. Foi até lá, ainda de cueca, pegou as cartas e voltou.
— Pronto.
Olivia acompanhou o movimento.
— Você vai jogar assim?
— Você criou o problema.
— Eu fiz uma provocação.
— E eu transformei em competição.
Bianca balançou a cabeça.
— Isso vai dar muito errado.
Vinicius sentou na beirada da cama e começou a embaralhar.
— Melhor de cinco.
— Carta mais alta? — perguntou Olivia.
— Para começar.
Ela fez uma careta.
— Isso é pura sorte.
— Então escolhe você.
Olivia tomou o baralho das mãos dele.
— Cada rodada começa com uma carta. Quem tirar a menor cumpre alguma coisa escolhida por quem ganhou.
— E se eu vencer a disputa?
Olivia encontrou os olhos dele.
— Você não vence.
Ele sorriu.
— Essa confiança toda vai custar caro.
— Você está de cueca no nosso quarto. Acho que a parte cara já aconteceu.
Bianca cobriu o rosto com as duas mãos.
— Eu quero registrar que, dez minutos atrás, a gente só estava bebendo vinho.
Olivia terminou de embaralhar e colocou o baralho no centro da cama.
— Tarde demais.
A primeira rodada foi dela.
Vinicius olhou a própria carta e depois a de Olivia.
— Sorte.
— Derrota.
— Sorte.
— Continua sendo derrota.
Ela se recostou na cama, satisfeita.
— Tira uma foto comigo.
Vinicius franziu a testa.
— Esse é o desafio?
— É.
— Vestido assim?
Olivia sorriu.
— Exatamente assim.
Bianca começou a rir.
— Eu apoio.
— Claro que apoia.
Vinicius pegou o celular. Olivia se aproximou, ficando ao lado dele. Bianca imediatamente entrou no enquadramento pela outra lateral.
— Você não foi convidada — disse Olivia.
— A prova precisa de testemunha.
Vinicius tirou a foto.
Os três olharam para a tela.
Bianca foi a primeira a perder o controle.
— A sua cara!
Vinicius tentou pegar o celular de volta.
— Apaga.
Olivia afastou o aparelho.
— Nem pensar.
— Eu estava olhando para a Bianca.
— Problema seu.
— Você está completamente vestida.
— Outra derrota sua.
Na rodada seguinte, Bianca tirou a carta mais baixa.
— Não.
Olivia começou a rir.
— Você nem sabe o que vamos pedir.
— É justamente por isso.
— Manda uma mensagem para alguém — disse Vinicius.
— Não.
— Eu nem terminei.
— Não interessa.
Olivia pegou o celular de Bianca sobre a cama.
— Para a última pessoa com quem você flertou.
Bianca arrancou o aparelho da mão dela.
— Absolutamente não.
— Então paga prenda.
Vinicius apontou para o copo dela.
— Termina o vinho.
Bianca olhou para ele.
— Finalmente alguém razoável.
Ela bebeu o restante de uma vez.
— Pronto.
Dessa vez, Vinicius perdeu.
Olivia abriu um sorriso imediatamente.
— Coloca a calça.
— Não.
— Você perdeu.
— Não vale.
— Por quê?
— Porque isso desfaz a aposta.
— Exatamente.
Bianca riu.
— Ela tem um ponto.
Vinicius pegou a calça sobre a poltrona, segurou-a por alguns segundos e largou de volta.
— Melhor de três entre eu e você.
Olivia estreitou os olhos.
— Está mudando as regras.
— Estou propondo uma revanche. Se você ganhar, eu faço o que você quiser.
Bianca levantou a sobrancelha.
— Isso é perigosamente amplo.
Vinicius continuou olhando para Olivia.
— Dentro do razoável.
— Ah, agora apareceu o razoável — disse Bianca.
Olivia estendeu a mão.
— E se você ganhar?
— Você admite que estava blefando quando mandou eu tirar a roupa.
Ela riu.
— Só isso?
— Por enquanto.
Bianca apontou para ele.
— Esse “por enquanto” foi péssimo.
Olivia já pegava o baralho.
— Aceito.
Na primeira rodada, Olivia venceu e tomou o celular de Vinicius para registrar outra foto antes que ele conseguisse impedir. Na segunda, ele ganhou.
Vinicius olhou para a carta, depois para Olivia.
— Quero saber uma coisa.
— Isso é pergunta, não desafio.
— Então desafio você a responder.
Bianca levantou a mão.
— Tecnicamente válido.
Olivia lançou um olhar para ela.
— Você mudou de lado muito rápido.
— Eu sigo a ciência.
Vinicius apoiou os braços sobre as pernas.
— Quando você mandou eu tirar a roupa, você realmente achou que eu não faria?
Olivia mexeu nas cartas.
— Achei.
— Por quê?
— Isso já é uma segunda pergunta.
— Responde.
Ela continuou organizando o baralho, embora não houvesse nada para organizar.
— Porque você fala demais.
Vinicius sorriu.
— Essa é sua explicação?
— Você provoca, insiste, se acha muito corajoso quando está tudo no campo da brincadeira.
— E você achou que eu ia recuar.
Olivia ergueu os olhos.
— Achei.
— Errou.
— Você ainda está de cueca.
Bianca abafou uma risada.
A terceira rodada decidiu.
Vinicius virou a própria carta primeiro. Olivia olhou para o número, depois para a dela.
Bianca se aproximou.
— Ih.
Vinicius sorriu.
— Eu avisei.
Olivia largou a carta sobre a cama.
— Sorte.
— Vitória.
— Sorte.
— Você repete muito isso quando perde.
Ela cruzou os braços.
— Então escolhe.
Vinicius demorou.
Até aquele momento, as respostas tinham vindo rápidas, acompanhadas de risadas e provocações. Dessa vez, ele olhou para Olivia por tempo suficiente para Bianca perceber a mudança antes mesmo de qualquer um dos dois fazer algo.
— Está pensando demais — disse Olivia.
— Estou escolhendo.
— Covarde.
Vinicius deixou as cartas de lado.
— Senta aqui.
Olivia olhou para o espaço diante dele.
— Esse é o desafio?
— É.
Bianca franziu a testa.
— Só isso?
Vinicius virou o rosto.
— Você queria o quê?
— Nada. Eu quero exatamente nada.
Olivia se levantou e deu a volta pelo colchão até parar diante de Vinicius. Ele continuava sentado na beirada da cama, com os antebraços apoiados sobre as pernas. Ela ocupou o espaço à frente dele e se sentou ali, de frente para ele, perto o bastante para que os joelhos quase se tocassem.
Bianca estava mais afastada, encostada na cabeceira com o copo entre as mãos.
Nenhum dos três falou de imediato.
Vinicius olhou para Olivia.
Ela sustentou.
— Era só isso? — perguntou.
— O quê?
— Seu grande desafio.
— Você está reclamando?
— Estou dizendo que, para alguém tão confiante, você pensou demais.
Bianca desviou os olhos para o próprio copo, mas o sorriso discreto no canto da boca entregava que estava acompanhando tudo.
Vinicius apoiou as mãos no colchão.
— Você parece muito interessada em me provocar hoje.
— Você que aceitou.
— E você ainda não ganhou nada.
Olivia baixou os olhos por um instante. Só o suficiente para olhar para a cueca dele antes de voltar ao rosto.
Vinicius percebeu.
Bianca também.
— Tecnicamente — disse Olivia — você ainda não cumpriu o primeiro desafio.
Ele soltou uma risada baixa.
— Ah, então é isso.
— Isso o quê?
— Você ainda está incomodada porque eu parei antes do fim.
— Eu não estou incomodada.
— Não parece.
Olivia se inclinou um pouco para a frente.
— Você que disse que não existia nada que eu pudesse pedir e você não faria.
O espaço entre os dois já era pequeno o bastante para que ela não precisasse elevar a voz.
— E agora? Mudou de ideia?
Vinicius olhou para Olivia por alguns segundos.
— Você quer mesmo descobrir?
Ela sorriu.
— Achei que eu já tivesse descoberto.
— Ainda não.
— Então termina.
Vinicius não se mexeu.
Bianca ergueu os olhos para os dois.
— Vocês sabem que ainda tem uma terceira pessoa neste quarto, né?
Olivia olhou para ela.
— Você pode parar isso a qualquer momento.
Bianca levou o copo à boca.
— Eu não disse que queria parar.
A resposta arrancou uma risada curta de Vinicius, mas Olivia não riu. Continuou olhando para ele.
— Viu?
— Isso não ajuda muito o seu caso.
— Meu caso?
— Você está tentando fingir que isso ainda é sobre a aposta.
Ela permaneceu olhando para ele.
— E não é?
Vinicius inclinou o corpo um pouco mais para a frente.
— Você sabe que não.
O sorriso de Olivia desapareceu.
Bianca também parou de sorrir.
O silêncio que veio depois durou apenas alguns segundos, mas nenhum dos três pareceu disposto a quebrá-lo.
Vinicius foi o primeiro a desviar os olhos. Dessa vez, para baixo.
Olivia acompanhou o movimento.
— Então?
— Então o quê?
— Você vai continuar só falando?
Vinicius soltou o ar pelo nariz.
— Você realmente não sabe a hora de parar.
— Talvez eu saiba.
— E está fazendo de propósito.
— Talvez.
Bianca mexeu no copo entre as mãos.
— Eu vou fingir que vocês ainda estão jogando.
Olivia não tirou os olhos de Vinicius.
— Pode fingir.
Ele levou uma das mãos à cintura da cueca e parou.
Olivia arqueou uma sobrancelha.
— Ué.
Vinicius sorriu.
— Está com pressa?
— Só estou esperando você cumprir o que prometeu.
— Eu prometi se você ganhasse.
— E eu ganhei.
— Uma rodada.
— Covarde.
Ele balançou a cabeça.
— Você gosta muito dessa palavra.
— Porque funciona.
Vinicius levou a mão à cintura da cueca outra vez.
Dessa vez, nenhum dos três riu.
Ele puxou o elástico da cueca e liberou o pau. Os dedos envolveram o comprimento, mas ele não começou imediatamente.
Olhou para Olivia.
Ela continuava no mesmo lugar, sentada diante dele, o copo apoiado entre as mãos. Não desviou os olhos. Havia um desafio ali desde que aquela conversa começara, mas agora ninguém parecia interessado em descobrir quem venceria primeiro.
Vinicius passou a mão devagar pelo pau, da base até a cabeça, e voltou.
Olivia acompanhou o movimento.
Ele repetiu.
Dessa vez, ela umedeceu os lábios.
— Continua.
Vinicius obedeceu sem aumentar o ritmo. Apertava mais na subida, afrouxava na descida, sustentando o olhar dela enquanto o pau endurecia por completo em sua mão.
Bianca mudou de posição na cabeceira. O gelo tilintou dentro do copo.
Nenhum dos dois olhou para ela.
— Você está molhada — disse Vinicius.
Olivia ergueu uma sobrancelha.
— Você nem consegue ver.
— Não preciso.
— Convencido.
— Estou errado?
Ela poderia ter respondido.
Em vez disso, levantou-se.
Vinicius parou a mão.
Olivia percebeu.
Segurou a barra da blusa e a puxou devagar pela cabeça. Jogou-a em algum lugar ao lado da cama e ficou de sutiã diante dele. Não avançou para a peça seguinte. Passou as mãos pelos próprios cabelos, ajeitando os fios que a blusa havia desfeito, e deixou que ele olhasse.
— Por que parou?
A mão dele voltou a se mover.
Olivia sorriu.
Soltou o fecho do sutiã. Uma alça escorregou pelo ombro, depois a outra, até a peça cair aos pés dela.
Dessa vez, Vinicius não tentou esconder a reação.
— Melhor?
— Ainda estou decidindo.
Ela riu pelo nariz.
Abriu o botão da calça. Baixou o zíper. Empurrou o tecido apenas até os quadris e parou outra vez.
— Filho da puta.
— Eu não falei nada.
— Sua cara falou.
Olivia terminou de tirar a calça. A calcinha veio junto e, quando se endireitou, estava nua diante dele.
Vinicius continuou sentado.
A mão continuou no próprio pau.
Olivia esperou.
Ele também.
Foi ela quem cedeu primeiro, mas não caminhou até ele. Voltou para a poltrona, sentou-se e abriu as pernas.
— Já que você gosta tanto de olhar…
A mão dela desceu pelo ventre.
Vinicius acompanhou os dedos até encontrarem a fenda. Olivia os passou devagar pela própria umidade antes de subir até o clitóris. O primeiro movimento foi pequeno, quase preguiçoso.
Ela fechou os olhos por um instante.
Quando abriu, Vinicius ainda a observava.
— Assim? — perguntou.
— Você sabe muito bem o que está fazendo.
— Quero saber se você gosta.
— Eu gosto de olhar.
— Eu percebi.
Olivia continuou.
Os dedos circulavam o clitóris sem pressa, interrompendo o movimento de vez em quando para descer pela fenda e voltar. Vinicius passou o polegar pela cabeça do pau, espalhando a umidade, e fechou a mão outra vez.
Por alguns minutos, ninguém tentou transformar aquilo em outra coisa.
Olivia se tocava.
Vinicius se masturbava.
E os dois olhavam.
Às vezes para o rosto. Às vezes para as mãos. Às vezes para o lugar exato onde os dedos do outro se moviam.
Bianca já não fingia que o copo tinha alguma utilidade. Deixou-o sobre a mesa ao lado da cama.
Olivia olhou para ela.
O olhar desceu até as pernas cruzadas, demorou-se ali e voltou.
Bianca sustentou.
Então levou a mão à própria coxa.
Olivia não disse nada.
Bianca deslizou os dedos para dentro da calça.
Vinicius percebeu o movimento pelo canto dos olhos.
— Não olha pra ela — disse Olivia.
Ele voltou imediatamente para Olivia.
— Ciúme?
— Não. Você começou comigo.
— Então termina comigo?
Ela inclinou a cabeça.
— Quem disse que eu quero terminar?
A mão de Vinicius desacelerou.
Olivia sorriu.
Havia tempo.
Era justamente isso que tornava tudo pior.
Ou melhor.
Ela tirou os dedos de entre as pernas e olhou para a umidade neles. Depois se levantou e caminhou até Vinicius.
Ele abriu as pernas para recebê-la, mas Olivia não se sentou. Ficou diante dele.
Passou os dedos molhados pela cabeça do pau.
Vinicius soltou o ar.
— Olivia…
Ela espalhou a própria umidade devagar, acompanhando o movimento com os olhos.
Depois fechou a mão sobre a dele.
Por alguns segundos, as duas mãos permaneceram juntas no pau.
Olivia conduziu o movimento.
Mais lento do que ele fazia antes.
Da base até a cabeça.
Outra vez.
Vinicius deixou.
— Assim — ela murmurou.
Ele observava o rosto dela.
Olivia percebeu e ergueu os olhos.
— Eu falei pra olhar?
— Você precisa mandar em tudo?
— Agora, preciso.
Vinicius sorriu.
Olivia soltou a mão dele e deu um passo para trás.
— Sua vez.
Ele se levantou.
Ela não recuou quando Vinicius chegou perto. Ficaram frente a frente, sem se tocar por alguns segundos, até ele levar a mão ao rosto dela e afastar uma mecha de cabelo.
Olivia esperou pelo beijo.
Ele desceu para o pescoço.
— Covarde.
Vinicius beijou abaixo da orelha.
Ela virou o rosto para dar espaço.
A boca dele continuou pelo pescoço, pelo ombro, demorando-se onde encontrava alguma reação. Quando os dentes tocaram a pele, Olivia segurou a cintura dele.
— Aí.
Vinicius repetiu.
Mais forte.
Ela puxou o corpo dele contra o seu.
O pau ficou preso entre os dois.
Olivia movimentou o quadril uma vez, esfregando-se nele.
Depois outra.
Vinicius segurou sua bunda e a trouxe para mais perto.
Ela finalmente encontrou a boca dele.
O beijo começou lento. Olivia mordeu o lábio inferior dele, afastou-se o suficiente para olhar e voltou. Vinicius segurou sua nuca. Ela empurrou o peito dele.
— Não.
Ele soltou.
Olivia o beijou de novo.
Agora do jeito dela.
Bianca respirou fundo na cabeceira.
Olivia ouviu.
Interrompeu o beijo e olhou para ela.
A mão de Bianca continuava dentro da calça.
Dessa vez, Olivia não voltou imediatamente para Vinicius. Ficou observando Bianca por alguns segundos.
Bianca também não desviou.
Vinicius esperou.
Olivia tornou a olhar para ele.
— Na cama.
Ele obedeceu.
Deitou-se de costas e Olivia subiu sobre ele, mas não o deixou penetrá-la. Sentou-se sobre as coxas dele, mantendo o pau entre os dois, e apoiou as mãos no peito de Vinicius.
Começou a mover o quadril.
Devagar.
A fenda molhada deslizou pelo comprimento dele sem deixá-lo entrar.
Vinicius segurou os quadris dela.
Olivia retirou as mãos dele.
— Eu disse que podia?
— Você está fazendo isso de propósito.
— Claro que estou.
Ela repetiu o movimento.
Para a frente.
Para trás.
O clitóris roçando no pau a cada passagem.
Olivia fechou os olhos e deixou a cabeça cair um pouco para trás. Vinicius aproveitou para percorrer o corpo dela com as mãos, primeiro pelas coxas, depois pela cintura, subindo até os seios.
Dessa vez, ela permitiu.
Os polegares passaram pelos mamilos.
Olivia interrompeu o quadril.
Vinicius repetiu.
Ela retomou o movimento.
Ele apertou um dos seios, levou o outro à boca e chupou o mamilo.
Olivia gemeu.
A mão dela foi até a cabeça dele.
Não para afastar.
Vinicius entendeu.
Continuou ali enquanto Olivia se esfregava nele, sem qualquer tentativa de acelerar a cena.
Quando ela finalmente se afastou, Vinicius tentou puxá-la de volta.
— Calma.
Olivia desceu da cama.
Ele ficou olhando enquanto ela se ajoelhava entre suas pernas.
— Olivia…
— Fica quieto.
Ela segurou o pau pela base.
Passou a língua pela cabeça.
Vinicius soltou um gemido curto.
Olivia repetiu, dessa vez circulando devagar antes de fechar os lábios em volta. Desceu apenas uma parte, voltou, passou a língua outra vez.
Não havia pressa nenhuma nela.
Talvez por isso fosse tão difícil para ele permanecer parado.
A mão de Vinicius encontrou os cabelos dela.
Olivia parou.
Olhou para cima.
Ele tirou a mão.
Ela voltou.
Bianca soltou uma risada baixa.
Olivia ainda estava com a boca nele quando olhou para ela.
Bianca balançou a cabeça.
— Você é cruel.
Olivia soltou Vinicius.
— Eu?
— Você sabe que é.
— E mesmo assim está com a mão dentro da calça.
Bianca não respondeu.
Não precisava.
Olivia voltou a atenção para Vinicius, mas ele segurou seu braço antes que ela pudesse continuar.
— Chega.
— Chega?
Ele a puxou para cima.
Olivia riu quando caiu sobre a cama, mas o riso desapareceu quando Vinicius abriu suas pernas e se ajoelhou entre elas.
Ele não desceu imediatamente.
Passou as mãos pelas coxas.
Abriu-as mais.
Beijou a parte interna de uma delas.
Depois a outra.
Olivia tentou empurrar o quadril em direção à boca dele.
Vinicius segurou sua cintura contra o colchão.
— Agora você espera.
Ela soltou uma risada curta.
— Filho da puta.
Ele beijou mais perto.
Não o suficiente.
Olivia puxou o cabelo dele.
— Vinicius.
Ele ergueu os olhos.
— O quê?
— Você sabe.
— Quero ouvir.
Ela apertou os dedos nos cabelos dele.
— Chupa.
Vinicius obedeceu.
A língua encontrou o clitóris e Olivia arqueou imediatamente, mas ele não manteve o mesmo movimento. Alternou a língua com os lábios, experimentando pressão, velocidade, direção, recuando quando ela tentava prendê-lo e voltando quando o corpo começava a relaxar.
Olivia reclamou.
Xingou.
Puxou o cabelo dele.
Vinicius continuou.
Quando introduziu um dedo, fez devagar.
Olivia abriu mais as pernas.
Veio o segundo.
Ele curvou os dedos dentro dela e Olivia soltou um gemido diferente.
Vinicius repetiu o movimento.
— Isso.
Outra vez.
— Isso.
Ele encontrou o ritmo pelo corpo dela, não pela pressa.
Quando Olivia começou a se aproximar, ele percebeu pelas coxas que se fechavam, pelo quadril que já não conseguia ficar parado, pela mão que apertava seus cabelos.
E então parou.
Olivia abriu os olhos.
— Eu vou te matar.
Vinicius beijou a parte interna da coxa dela.
— Você disse que não estava com pressa.
Ela ficou olhando para ele.
Depois começou a rir.
Vinicius também.
Até Bianca riu da cabeceira, ainda com a mão dentro da calça.
Olivia puxou Vinicius pelo cabelo.
— Volta aqui.
Ele voltou.
Dessa vez não parou quando ela começou a tremer. Manteve a boca e os dedos exatamente onde estavam até Olivia gozar, apertando as coxas ao redor da cabeça dele e enterrando o rosto no travesseiro para abafar o próprio gemido.
Vinicius esperou o corpo dela relaxar.
Beijou sua coxa.
Depois o ventre.
Subiu lentamente até ficar sobre ela.
Olivia ainda respirava rápido quando abriu os olhos.
Ele beijou sua boca.
Ela sentiu o próprio gosto nele.
O beijo demorou.
Quando terminou, Vinicius estava entre suas pernas, o pau encostado nela.
Nenhum dos dois avançou.
Olivia passou a mão pelo rosto dele.
Depois pelo peito.
Desceu pelo abdômen.
Encontrou o pau entre os corpos e o segurou.
Vinicius fechou os olhos.
Ela guiou a cabeça até a entrada.
Não deixou entrar.
Esfregou uma vez.
Vinicius abriu os olhos.
Olivia sorriu.
— Você realmente não aprende.
— Estou começando a achar que você gosta de me torturar.
— Estou começando?
Ela finalmente o guiou para dentro.
Devagar.
Vinicius entrou apenas alguns centímetros.
Parou.
Olivia puxou o quadril dele.
Mais.
Ele avançou.
Ela respirou fundo enquanto o corpo se ajustava, mantendo as pernas abertas ao redor dele.
Quando entrou por completo, nenhum dos dois se mexeu imediatamente.
Olivia passou os braços pelo pescoço dele.
Vinicius beijou seu ombro.
Só depois começou a se mover.
Sem estocadas rápidas.
Saía quase por completo e voltava devagar, sentindo o corpo dela recebê-lo. Olivia acompanhou o ritmo com o quadril. Às vezes puxava Vinicius mais fundo. Às vezes o fazia parar apenas para mudar o ângulo das pernas ou virar o corpo.
Em algum momento, ela o empurrou.
Vinicius rolou de costas.
Olivia montou sobre ele.
Dessa vez, deixou que entrasse até o fundo.
Apoiou as mãos no peito dele e começou a cavalgar.
Devagar primeiro.
Experimentando.
Quando encontrou um ângulo que a fez prender a respiração, repetiu.
Vinicius percebeu.
Segurou sua cintura e ajudou no movimento.
Olivia afastou uma das mãos dele e levou-a até o próprio clitóris.
— Aqui.
Ele obedeceu.
Bianca já não tentava esconder nada.
Olivia olhou para ela enquanto cavalgava Vinicius.
A mão de Bianca se movia depressa entre as pernas. Os olhos estavam presos nela.
Olivia sustentou o olhar.
Vinicius continuou tocando seu clitóris.
Ela não desviou de Bianca quando o prazer começou a crescer outra vez.
— Olivia…
Foi Vinicius quem chamou.
Ela olhou para baixo.
O rosto dele estava tenso.
Olivia diminuiu.
— Ainda não.
Vinicius soltou uma risada sem humor.
— Você só pode estar brincando.
Ela inclinou-se e o beijou.
— Eu falei que não estava com pressa.
Ele segurou sua nuca e a beijou de volta.
Quando Olivia tornou a se mover, Vinicius acompanhou.
Não havia mais disputa pelo controle. O ritmo mudava entre os dois conforme um encontrava alguma coisa no corpo do outro. Às vezes mais fundo. Às vezes mais lento. Às vezes Olivia parava com ele inteiro dentro dela apenas para beijá-lo. Às vezes Vinicius a virava de costas e recomeçava de outro jeito.
O tempo deixou de servir para alguma coisa.
Quando Olivia voltou a se aproximar, não precisou dizer.
Vinicius levou os dedos ao clitóris dela.
Ela agarrou seu braço.
— Não para.
Ele manteve o movimento.
Olivia gozou primeiro.
O corpo inteiro tensionou ao redor dele. Vinicius continuou se movendo enquanto ela atravessava o orgasmo, mais devagar quando percebeu que estava sensível demais.
Ela respirou fundo algumas vezes.
Abriu os olhos.
— Agora você pode.
Vinicius riu.
— Obrigado.
Olivia puxou o rosto dele e mordeu seu lábio.
— Idiota.
Ele voltou a se mover.
Olivia ainda o acompanhou, mesmo sensível, as pernas presas à cintura dele. As estocadas perderam a lentidão conforme Vinicius se aproximava. Ela segurou sua bunda e o puxou mais fundo.
— Vai.
Ele enterrou o rosto no pescoço dela.
Mais algumas vezes.
Então parou no fundo e gozou com um gemido abafado contra sua pele.
Por alguns segundos, nenhum dos dois se mexeu.
Olivia soltou as pernas.
Vinicius continuou sobre ela, respirando contra seu pescoço.
Foi Bianca quem quebrou o silêncio.
— Vocês dois são foda.
Olivia abriu os olhos.
Bianca ainda estava na cabeceira, ofegante, a mão parada dentro da calça.
Olivia sorriu.
— E você ficou.
Bianca sustentou o olhar dela.
— Fiquei. Isso não torna vocês menos desastrosos.
Vinicius passou a mão pelo rosto.
— Tecnicamente, você poderia ter ido embora.
— Tecnicamente, este é o meu quarto.
Ele olhou ao redor, encontrou a própria calça sobre a poltrona e se levantou para buscá-la.
— Justo.
Olivia procurou a blusa no chão e a encontrou perto da cama. Bianca apontou para o outro lado antes que ela começasse a procurar o restante.
— Sua calça está ali.
Olivia olhou.
— Obrigada.
— Eu gostaria de não saber disso.
— Dramática.
— Você acabou de perder o direito de me chamar de dramática por pelo menos seis meses.
Vinicius riu enquanto vestia a camiseta.
Olivia pegou uma das cartas do baralho que tinha ficado presa sob a própria perna e a ergueu.
— Quem ganhou afinal?
Vinicius virou para ela.
— Eu.
— Em que universo?
— No universo em que você estava blefando desde o começo.
Olivia abriu a boca para responder, mas Bianca pegou a carta da mão dela.
— Acabou o jogo.
Os dois olharam para ela.
Bianca colocou a carta no meio do baralho e começou a juntar as outras.
— Eu me recuso a descobrir qual seria a próxima rodada.
Dessa vez os três riram.
Vinicius terminou de se vestir e pegou o celular sobre a bancada. A foto feita no começo da noite ainda estava aberta na tela. Ele, de cueca, com Olivia ao lado e Bianca invadindo o enquadramento pela outra lateral, os três rindo.
Bianca percebeu.
— Nem pensa em apagar.
— Eu nem falei nada.
— Mas pensou.
Vinicius levantou os olhos para ela.
Olivia começou a rir.
— Essa foi minha fala.
— Agora é de domínio público — respondeu Bianca.
Ela terminou de guardar o baralho na caixa.
Por um instante, os três ficaram em silêncio outra vez.
Olivia pegou o próprio copo, viu que estava vazio e o largou de volta.
— A gente vai descer?
Vinicius olhou para ela.
Não houve provocação daquela vez. Nem desafio.
— Vai ter gente lá embaixo — disse Bianca.
Olivia virou o rosto.
— É uma confraternização.
— Eu sei. Só estou lembrando vocês dois antes que resolvam esquecer onde estão de novo.
Vinicius pegou a própria chave.
— Eu tenho um quarto.
Bianca apontou para a porta.
— Ótimo. Use para colocar roupa e pensar nas suas escolhas.
Ele abriu a porta ainda rindo.
Olivia passou por ele primeiro. Bianca veio logo depois e parou no corredor quando percebeu que Vinicius não tinha saído.
— Você vem?
Ele olhou uma última vez para o quarto, para a garrafa aberta e para a cama ainda desarrumada.
— Vou.
Fechou a porta.
*
Duas horas depois, o salão principal do hotel estava mais cheio do que na noite anterior.
As mesas próximas ao bar tinham sido empurradas para as laterais, deixando um espaço improvisado diante da pequena estrutura onde um DJ tentava convencer colegas de trabalho a esquecer que ainda teriam atividades na manhã seguinte.
Algumas pessoas já tinham aceitado a proposta. Outras permaneciam em grupos ao redor das mesas, copos nas mãos, rindo alto o bastante para competir com a música.
Vinicius estava perto do bar quando viu Bianca.
Ela surgiu entre duas pessoas da equipe comercial, segurando um copo numa mão e o celular na outra, enquanto tentava falar alguma coisa que ninguém conseguia ouvir. Desistiu no meio da frase, pegou o braço de uma das pessoas e a puxou para mais perto antes de repetir tudo praticamente dentro do ouvido dela.
Vinicius riu.
Bianca percebeu.
Apontou para ele por cima do ombro de alguém, como se tivesse flagrado alguma coisa.
Ele ergueu o copo.
Ela respondeu da mesma forma e continuou andando.
Vinicius voltou para a conversa diante dele.
Não chegou a ouvir a pergunta seguinte.
Do outro lado do salão, Olivia tentava atravessar uma roda de pessoas sem derrubar a bebida. Alguém se afastou no momento errado e ela precisou inclinar o corpo, desviando por pouco de um cotovelo. Recuperou o equilíbrio, olhou para o próprio copo e levantou os olhos.
Encontrou Vinicius.
Nenhum dos dois desviou.
Olivia ergueu uma sobrancelha.
Ele olhou para o copo quase vazio dela.
Ela acompanhou o movimento, deu um gole no pouco que restava e mostrou o fundo.
Vinicius apontou para o bar.
Olivia começou a andar naquela direção.
Bianca chegou primeiro.
— Eu sabia.
Vinicius se virou.
— Sabia o quê?
— Que esse vinho era ruim.
Ela colocou o copo no balcão.
— Você bebeu três.
— Eu precisava confirmar.
Olivia parou ao lado dos dois e entregou o próprio copo ao bartender.
— Outra.
Bianca olhou para ela.
— Você também?
— Pesquisa de campo.
Vinicius apoiou um braço no balcão.
— Impressionante o compromisso de vocês com a ciência.
Olivia virou o rosto para ele.
Por um instante, apenas o suficiente.
Bateu a mão no braço dos dois.
— Essa música.
Olivia ouviu alguns segundos.
— Não.
— Sim.
— Bianca.
— Você sabe.
— Eu não vou.
Bianca já segurava sua mão.
— Vai.
Olivia tentou firmar os pés enquanto era puxada.
— Vinicius, faz alguma coisa.
Ele pegou o copo que o bartender acabava de colocar diante dela.
— Pode deixar comigo.
Olivia apontou para ele enquanto desaparecia no meio das pessoas.
— Eu odeio você.
Vinicius bebeu um gole.
— Isso está ficando recorrente.
Bianca conseguiu arrastá-la até o espaço diante do DJ justamente quando o refrão começou.
Olivia resistiu durante menos de dez segundos. Depois levantou os braços junto com Bianca.
Vinicius ficou no bar.
Observou as duas tentando repetir uma coreografia que evidentemente nenhuma delas lembrava inteira, Bianca defendendo uma sequência enquanto Olivia insistia em outra. Na terceira tentativa, bateram os braços uma na outra e perderam completamente o ritmo.
Bianca dobrou o corpo de tanto rir.
Olivia procurou Vinicius no salão.
Encontrou.
Apontou para ele. Depois para o espaço ao lado delas.
Ele balançou a cabeça.
Olivia repetiu o gesto.
Vinicius ergueu o copo das duas mãos ocupadas.
Ela estendeu os braços para os lados.
Bianca percebeu a negociação, olhou para ele e fez o mesmo.
Vinicius ainda tentou permanecer onde estava.
As duas continuaram esperando.
Ele largou os copos no balcão.
Bianca comemorou antes mesmo que ele começasse a andar.
Vinicius atravessou o salão desviando de duas pessoas dançando e de um grupo que tinha parado no meio do caminho para tirar uma foto. Quando chegou, Olivia estendeu a mão.
Ele segurou.
Ela o puxou para perto no exato momento em que a música mudou.
— Essa eu sei! — gritou Bianca.
— Você falou isso da outra! — Olivia respondeu.
— Mas essa eu sei mesmo!
Não sabia.
Alguns minutos depois, os três tinham desistido de qualquer tentativa de acompanhar a música.
Bianca inventava passos.
Olivia copiava os piores.
Vinicius piorava todos de propósito.
Uma roda começou a se formar em algum momento e eles acabaram no meio dela sem saber exatamente como. Bianca empurrou Vinicius para o centro. Ele tentou puxá-la junto. Ela escapou, escondendo-se atrás de Olivia, que imediatamente foi usada como escudo.
— Covarde! — ele gritou.
Bianca colocou as duas mãos nos ombros de Olivia.
— Proteção estratégica!
Vinicius tentou alcançar Bianca por um lado.
Olivia bloqueou.
Tentou pelo outro.
Ela mudou de posição outra vez.
— Você está ajudando ela?
Olivia abriu um sorriso.
— Estou.
Ele parou diante dela.
— Claro que está.
Bianca apareceu por cima do ombro de Olivia e mostrou a língua.
Vinicius avançou.
As duas correram.
A roda se desfez quando Bianca quase esbarrou em uma mesa e precisou se agarrar a Olivia para não cair. Vinicius chegou logo depois, segurando as duas pelos braços enquanto Bianca ria sem conseguir recuperar o equilíbrio.
Olivia também ria.
Vinicius disse alguma coisa.
Nenhuma das duas ouviu.
— O quê? — Bianca gritou.
Ele repetiu.
Olivia aproximou o ouvido.
Vinicius falou novamente.
Ela começou a rir antes que ele terminasse.
— Não!
— O quê? — perguntou Bianca.
Olivia se inclinou até o ouvido dela.
Bianca arregalou os olhos.
Olhou para Vinicius.
— Nem fodendo.
Ele já estava rindo.
Bianca apontou para ele.
— Você primeiro.
Os três acabaram novamente no meio da roda.
Muito depois, quando a música diminuiu por alguns segundos entre uma faixa e outra, Bianca apareceu com três copos.
Entregou um a Olivia.
Outro a Vinicius.
Ficou com o terceiro.
Os três se encostaram na lateral de uma das mesas, ainda tentando recuperar o fôlego.
Olivia tomou um gole e fechou os olhos.
Bianca passou o braço pelos ombros dela.
Vinicius apoiou-se do outro lado.
Alguém chamou Bianca de longe.
Ela ergueu a cabeça.
— Já vou!
Não foi.
Ficou ali.
Olivia virou o rosto para Vinicius.
Ele ainda estava sorrindo.
Ela encostou o copo no dele.
Uma batida curta.
Bianca percebeu e colocou o próprio copo entre os dois.
Os três brindaram.
Então a música voltou.
Bianca foi a primeira a largar o copo sobre a mesa.
Olivia fez o mesmo.
Vinicius olhou para as duas.
Dessa vez, não tentou resistir.

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