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A noite que me ensinaram a ser homem
O contexto é o seguinte: eu tô com 19 agora, mas isso aconteceu no verão do ano passado, aquela temporada parada entre o fim do cursinho e o início da faculdade. Eu era virgem, literalmente: virgem de mulher, de beijo de língua, de tudo. Meu único contato com sexo era punheta no banheiro, pornô no celular e o grupo do Discord onde os manos ficavam postando foto da mina que eles pegavam. Eu era o peixe fora d’água: o bom aluno, filho da professora, atleta de 100m rasos no Ibirapuera que preferia treinar sozinho do que pegar alguém na balada.
Conheci a Mariana no cursinho pré-vestibular da Poli. Ela veio de outra escola, um cursinho particular de Pinheiros, e cismou de fazer o pré com a gente, do lado periférico. A primeira vez que a vi, ela tava de calça legging preta, tênis All Star surrado e uma camiseta do SUS bocó que devia ser do pai dela. O cabelo cacheado preso num coque desleixado, pele morena clara, olhos amendoados que pareciam rir sem motivo. Sentou do meu lado porque era o único lugar vazio. Em um mês, a gente já tava se falando todo dia no Whats. Em dois, ela já sabia dos meus medos, das minhas notas, da minha mãe viúva que me sufocava com expectativas.
Eu me apaixonei. Fui idiota e falei. Fui rejeitado.
— Lucas, você é meu melhor amigo. — ela falou, numa sexta-feira depois da aula, no pátio do cursinho que cheirava a cigarro clandestino e esperança frustrada. — Se a gente transar, eu te perco. E eu não quero te perder.
Eu aceitei. Fingir ser só amigo era melhor que não ter ela. Mas a gente se aproximou demais. Chamadas de voz toda noite. Jogo no Discord. Ela assistia eu jogar *Valorant* e tirava sarro da minha mira. Eu ouvia ela falar do ex-namorado idiota que tinha gozado rápido demais e largado ela depois.
Quando minha mãe avisou que ia pra um congresso de professores em Recife, eu falei pra Mariana na hora. Ela não perdoou.
— Vou dormir aí. — mandou no zap, com emoji de carinha piscando.
— Tu é doida? Minha mãe não tá, mas meu apartamento é minúsculo. É só meu quarto.
— É só seu quarto o que eu preciso.
Ela chegou no sábado, 11h, na estação da CPTM. Eu fiz a caminhada de 30 minutos até lá sob um sol de fevereiro que queimava as calçadas. Quando vi ela descer da plataforma, de short jeans rasgado, top curto branco que deixava a barriga à mostra, o corpo molhado de suor já, eu senti o pau latejar no short. Ela correu pro abraço. O cabelo dela cheirava a coco e sal. O corpo dela esquentou o meu.
— Cara, eu esqueci meu biquíni. — falou, sem filtro, já andando pros banheiros.
— Como assim, esqueceu?
— Tô de roupa de baixo. — ela riu. — Mas a gente vai mesmo assim, né?
A gente foi. O calor no trólebus era insuportável. A praia do Tombo tava vazia, só surfista e casal de idoso. A gente botou a toalha na areia. Ela tirou o short. A calcinha era de renda preta, transparente quando molhada. Ela não tinha esquecido porra nenhuma. Isso era armadilha.
A gente não entrou na água. Ficou de toalha, falando besteira, olhando o mar. À noite, jantamos no quiosque — peixe frito com limão, caipirinha de morango que ela fingiu que não era álcool. A gente voltou pra areia. Ela pediu pra ficar mais.
O céu tava limpo. A gente viu estrela cadente. Três. A cada uma, ela pedia um desejo em voz alta.
— Quero ser feliz. — falou na terceira.
— Tu já não é? — perguntei.
— Não desse jeito. — ela olhou pra mim, e o olhar tinha peso. — Hoje foi o dia mais bonito que eu tive com você, Lucas. A gente nunca ficou tanto tempo junto assim. Tá diferente.
Eu senti. A gente tava grudado, mas não de corpo. De algo mais pesado. Aí ela levantou, sentou de perna cruzada na toalha, olhou pro mar.
— Tô frustrada de não ter nadado. — falou.
— Ainda dá. Tá ninguém. Eu fecho os olhos, tu entra de roupa íntima, a gente lava em casa.
— Só se você entrar junto.
Foi assim que eu fiquei de cueca boxer branca, que ficou transparente na água fria. Ela tava de renda preta. A gente nadou. Ela encostou em mim “sem querer”. A perna dela roçou meu pau. Eu senti o choque.
Quando saímos, ela olhou pra trás. Me pegou olhando a bunda dela — redonda, branca na renda molhada, com uma marquinha de sol morena fechando perfeito.
— Tá olhando, seu pervertido? — riu.
— Tô. — respondi, sem jeito.
— E daí? — ela deu de ombro. — Deixa pra lá.
A gente voltou pro apartamento minúsculo. Tomou banho separado — ela primeiro, depois eu. O banheiro tava cheirando a shampoo *Herbal Essences* dela e a algo mais. Algo que eu não conhecia, mas que me deixava de pau duro de novo.
A gente preparou a cama. Ela ia dormir na cama, eu no chão. Colchão de solteiro que minha mãe guardava pra visita. Ela tava de camiseta velha minha, uma cueca boxer que eu dei pra ela usar de pijama. Eu tava de short.
À 1h da manhã, o ventilador de teto zumbia, e eu tava acordado. O corpo dela se mexia na cama. Aí ela acendeu a luz do celular. Iluminou o rosto.
— Lucas? — chamou, sussurrando.
— Oi.
— Eu vi tu olhando minha bunda.
— Foi mal. — respondi, envergonhado.
— Não foi mal. — ela se sentou na cama, as pernas cruzadas. A camiseta era tão grande que dava pra ver a curva do peito — sem sutiã. — Eu gostei.
Silêncio. O ventilador era o único barulho.
— Tem algo mais que eu devia ter te dito. — ela continuou, olhando pra baixo. — Quando tu me declarou, no cursinho, eu fiquei sem reação. Não porque não gostava. Mas porque gostava demais. E tinha medo de estragar.
Meu coração parou. O chão desapareceu.
— Tu… tu gostava de mim?
— Gosto. E tô morrendo de medo de tu não gostar mais de mim.
Eu não respondi. Só me levantei. Subi na cama. Sentamos de pernas cruzadas, frente a frente, igual na praia.
— A gente… a gente podia ser mais que amigo. — falei. A voz saiu trêmula.
Ela riu. — Tu é meu primeiro?
— Sou.
— Então deixa que eu te ensino. — ela tirou a camiseta. Devagar. O peito era médio, mamilos escuros, duros. — Começa com beijo.
Eu beijei. Desajeitado. A boca dela foi generosa, ensinou. A língua entrou, saiu, brincou. As mãos dela foram pro meu cabelo. Puxaram. Guiei.
— Mais devagar. — ordenou. — Não é corrida.
Eu abaixei. Fui pro pescoço. Ela gemeu. Foi um som agudo, inesperado. O corpo dela se arrepiou.
— Isso. — sussurrou. — Continua.
Meus dedos encontraram as coxas. A pele era macia, quente. A calcinha era de algodão, molhada. Não de água. De outra coisa.
— Pode tirar. — ela falou.
Eu puxei. Devagar. A buceta apareceu. Depilada. Molhada. O cheiro me acertou no rosto. Era azedo, doce, intenso. Diferente de qualquer coisa que eu tinha sentido. O clitóris tava inchado, saindo da pele.
— Passa o dedo, bem leve. — ela guiou minha mão. — Junta os dedos, faz carinho no capuzinho.
Eu fiz. Pressão leve. Movimento circular. Ela arqueou a coluna. O ar saiu da boca dela num *ahn* que eu nunca vou esquecer.
— Mais rápido. — pediu.
Acelerei. O ritmo dela era o que eu seguia. A buceta tava cada vez mais molhada. O líquido escorria, manchava o lençol de flanela da minha vó. Eu não liguei.
— Agora mete o dedo. — ela abriu as pernas mais. — Devagar.
Enterrei o indicador. A buceta era quente, apertada. Puxou meu dedo pra dentro. Contraiu.
— Encontra a parede da frente. — instruiu. — Curva. Aperta.
Eu achei. Um ponto áspero, rugoso. Pressionei.
Ela gritou. Não alto. Abafado no travesseiro. O corpo se contorceu. As pernas fecharam na minha mão.
— Continua! — ordenou.
Eu continuei. O dedo saía e entrava. A outra mão foi pro clitóris. Esfregava. A natureza me guiava.
O orgasmo dela foi uma explosão. O corpo se arqueou, o pescoço esticou, a boca aberta sem som. E aí, veio o líquido. Não era xixi. Era transparente, escorreu na minha mão, molhou o lençol. O cu dela piscou. A buceta se fechou no meu dedo, soltou, fechou de novo. Cinco vezes. Dez. Até ela desmaiar no travesseiro.
— Caralho… — ofegou. — Tu é bom.
Eu tava de pau duro, apertado no short. Ela viu.
— Vem cá. — chamou.
Tirei o short. O pau saltou. Duro, pulsando. Vermelho. A cabeça já brilhava de pré-gozo.
— Tu vai gozar rápido. — avisou, pegando na mão. — Não tem problema.
Ela começou a bater. Uma punheta lenta, firme. O toque dela era diferente da minha. Mais leve. Mais certeiro.
— Olha pra mim. — ordenou.
Olhei. Os olhos dela brilhavam. Os lábios úmidos. O cabelo colado na testa de suor.
— Eu vou gozar. — avisei. Era inevitável.
— Goza. — ela falou. — Goza na minha barriga.
Não deu. Eu gozei na mão dela. O primeiro jato foi forte, bateu no queixo dela. Ela riu. O segundo, terceiro, quarto caíram na barriga dela, no umbigo, escorreram pro lado. Era branco, denso, quente. O cheiro de cloro da praia misturado com esperma me deixou tonto.
Ela limpou com a mão. Levou à boca. Lambeu.
— Tem gosto de mar. — falou. — De sol.
— Desculpa ter gozado rápido.
— É assim que aprende. — ela me puxou pro colo. — Agora dorme. Amanhã eu te ensino a durar mais.
Ela dormiu abraçada em mim. Eu fiquei acordado, com o cheiro de nós dois no ar, o ventilador zumbindo, o celular da minha mãe vibrando com mensagem de “bom filho, dorme bem”.
Na manhã seguinte, quando acordei, ela já tava acordada. Olhando pro teto.
— Vamos de novo? — perguntou.
— Agora?
— Agora. — ela desceu. A boca engoliu meu pau. Dessa vez, eu demorei. Demorei porque ela ensinou: respira, pensa em outra coisa, foca no prazer dela.
Ela gozou de novo. E eu, dessa vez, gozei dentro da boca dela. Ela engoliu tudo. Me olhou. Sorriu.
— Hoje a gente vai pro shopping. — falou, se vestindo. — E tu vai me pagar um açaí.
— Por quê?
— Porque eu te ensinei a ser homem. — ela deu um beijo na minha testa. — E porque agora você é meu.


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