A Punheta no Parque
Hoje quero compartilhar com vocês uma lembrança que, mesmo não estando alinhada com minha orientação, marcou um antes e um depois na minha compreensão do desejo e da ousadia. Há alguns anos, num momento de confusão e curiosidade, decidi explorar territórios desconhecidos. Estava numa fase da minha vida onde as dúvidas sobre minha sexualidade dançavam na minha mente, e a solidão me levou a baixar o Tinder. Sim, até eu, que agora me reconheço plenamente como lésbica, passei por esse período de experimentação.
Foi nesse aplicativo que conheci a Manuela. Ela era cinco anos mais velha que eu, estudava odontologia, e seu perfil mostrava uma mulher morena de sorriso fácil, com seios generosos que prometiam suavidade e um quadril redondo, firme, que falava de uma confiança que a mim me faltava. Naquela época, eu ainda me considerava alguém atraente para o gênero masculino, mas com as mulheres era diferente. Sentia uma expectativa nervosa. Com a Manuela houve um match imediato, e nossa conversa fluiu com uma naturalidade que me surpreendeu. Decidimos nos encontrar, mas havia um detalhe: era véspera do Dia dos Namorados. Nenhuma de nós mencionou, como se ao ignorar, o encontro se libertasse de qualquer pressão romântica e se tornasse o que realmente era: um encontro de pura exploração física.
Marcamos de nos ver num parque perto da casa dela. Cheguei com minhas dúvidas e uma timidez que camuflava sob uma camiseta larga e um shorts confortável. Vi ela sentada num banco, e seu sorriso ao me reconhecer foi caloroso, dissipando um pouco do meu nervosismo. Nos sentamos e começamos a conversar. Ela se movia com uma desenvoltura que me fascinava, se inclinava na minha direção, nossos ombros se roçavam, e seus dedos, de forma casual, acariciavam meu braço ao rir de algum dos meus comentários. Eu, acostumada à sutileza da sedução entre mulheres, me sentia num jogo cujas regras não dominava completamente.
Num momento da conversa, ela mencionou que a mãe dela estava em casa, por isso não poderíamos ir ao apartamento dela. Uma parte de mim ficou aliviada; a outra, intrigada com o que isso implicava para nosso encontro. Foi então que notei seu olhar fixo nas minhas pernas, e depois, de forma descarada, na minha virilha. A ereção, uma reação física que eu ainda não associava totalmente ao desejo mas sim à ansiedade, era evidente contra o tecido do shorts. Ela não disfarçou. Pelo contrário, sua mão, que antes acariciava meu braço, desceu até minha coxa e se pousou lá, com uma pressão firme e possessiva que me fez prender a respiração.
“Por que a gente não vai pra um lugar mais tranquilo?”, sugeriu ela, sua voz um sussurro carregado de intenção. Seu olhar era um desafio, uma promessa.
Anuí, sem confiar na minha voz, e a segui para uma área mais isolada do parque, atrás de um grupo de árvores que formavam uma barreira natural contra olhares curiosos. A grama estava fresca sob meus pés. Lá, sem rodeios, seus lábios encontraram os meus. O beijo não foi terno; foi úmido, urgente, dominante. Sua língua reivindicava posse da minha boca, e uma de suas mãos se enroscou no meu cabelo enquanto a outra, audaciosa e sem pedir permissão, deslizou entre minhas pernas e pressionou a palma contra minha dureza através do tecido.
Um gemido escapou da minha garganta. Era uma sensação avassaladora. O contraste entre a dominação de seus atos e a submissão que eu, sem querer, começava a sentir, me eletrizava.
“Você gosta, não é?”, murmurou contra meus lábios, seu hálito quente na minha pele. “Você gosta que uma mulher te controle.”
Não pude responder. Só pude gemer de novo quando sua mão abriu o botão do meu shorts e se introduziu dentro, agarrando meu membro com uma segurança que me deixou sem fôlego. Seus dedos, hábeis e firmes, começaram a se mover, subindo e descendo com um ritmo que era ao mesmo tempo castigo e recompensa. O mundo ao nosso redor se desfocou. Já não existiam os pássaros, nem o vento, nem os sons distantes da cidade. Só existia o som úmido de sua mão deslizando sobre mim, seus gemidos baixos no meu ouvido e o fogo que crescia no meu ventre.
Ela, num ato de pura exibição, abriu a blusa e libertou um de seus seios. “Chupa”, ordenou, e eu, hipnotizada, obedeci. Minha boca se fechou em volta de seu mamilo, e o sabor de sua pele, misturado ao perfume que ela usava, foi outro detonante. Mamava nela enquanto sua mão continuava trabalhando em mim, acelerando seu ritmo, sincronizando seus movimentos com os círculos que minha língua traçava em sua pele. Era uma entrega total, uma submissão a um prazer que eu não terminava de compreender, mas que meu corpo aceitava com voracidade.
“Você vai gozar para mim, não vai?”, sussurrou, sua voz áspera de desejo. “Quero sentir como ele pulsa na minha mão.”
Eu estava à beira. A pressão se acumulava de forma insuportável, uma tensão doce e dolorosa que pedia liberação. Justo quando sentia que não aguentava mais, ela tirou a mão. Por um segundo, a frustração foi uma punhalada. Mas então, ela se inclinou e, com um olhar que não admitia negativa, envolveu sua boca em volta da cabeça do meu membro.
Foi a sensação mais intensa e contraditória que já experimentei. O calor, a umidade, a sucção especializada… Meu corpo se arqueou, e um grito abafado escapou de meus lábios enquanto eu explodia em sua boca, uma e outra vez, em ondas de um prazer que me deixou tremendo, vazia e completamente vulnerável.
Ela se endireitou, limpando os lábios com as costas da mão, um sorriso triunfante e um pouco cruel em seu rosto. “Que delícia”, disse, como para si mesma.
Nos sentamos de novo na grama, e o mundo voltou em câmera lenta. Meu corpo ainda palpitava, e uma vergonha tardia começava a se misturar ao resquício do êxtase. Para minha surpresa, ela, longe de ficar distante, se tornou ainda mais comunicativa. Começou a me mostrar vídeos no seu telefone. Vídeos dela mesma. Um na cama, se tocando, com os olhos fechados e a boca entreaberta num gemido silencioso. Outro no chuveiro, a água escorrendo por seu corpo nu, focando em seus seios, no triângulo escuro entre suas pernas. E outro mais, explícito, onde ela… praticava sexo oral num homem anônimo. Cada vídeo era uma porta para uma parte de sua intimidade, uma confissão visual de sua própria sexualidade, desinibida e faminta.
Eu olhava, fascinada e horrorizada ao mesmo tempo. Meu próprio corpo, que momentos antes tinha alcançado o clímax por sua mão e sua boca, respondia de novo com uma leve pulsação, uma curiosidade doentia que se alimentava daquela exibição. Era como se, através dela, eu estivesse vendo todas as possibilidades do desejo, um espectro que ia além do que eu me permitia imaginar.
Depois disso, trocamos algumas mensagens, algum nude esporádico, mas a conexão foi se desvanecendo. Suponho que cumpriu seu propósito para ambas: para ela, a adrenalina de dominar alguém num espaço público; para mim, a revelação de que o prazer podia ser tão complexo, tão sujo e tão libertador quanto a gente se atrevesse a permitir. Embora meu caminho me tenha levado a amar as mulheres de uma forma completamente diferente, aquela tarde no parque com a Manuela continua sendo uma lembrança vívida de que o desejo, em todas as suas formas, é uma força tão poderosa quanto aterradora. E às vezes, a experiência mais inesperada é a que mais te ensina sobre você mesma.


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