a amiga II
A noite pairava sobre nós, densa e promissora, enquanto nos reuníamos, eu, minha esposa e o casal amigo. A atmosfera, carregada de expectativas silenciosas, era amplificada pela presença de MC, a esposa do meu conhecido. Ela irradiava uma beleza que transcendia a mera aparência física; havia algo em seu olhar, uma profundidade que me cativava e me inquietava simultaneamente.
A conversa fluía, leve e despretensiosa, mas sob a superfície, uma correnteza de tensão se formava. Eu me pegava fitando MC, meus olhos buscando os dela, numa dança silenciosa de atração e curiosidade. Ela, inicialmente, desviava o olhar, um rubor sutil tingindo suas bochechas, mas a curiosidade parecia ser mais forte. Logo, seus olhos voltavam aos meus, um breve contato visual que transmitia uma mensagem clara, um convite tácito para um jogo perigoso.
A noite avançava, e a intensidade da troca de olhares se intensificava. Cada olhar era uma pergunta, uma resposta, uma promessa. A voz de MC, suave e melodiosa, preenchia os intervalos da conversa, mas era o silêncio entre as palavras que realmente falava. Seus gestos, sutis e elegantes, pareciam desenhar um mapa de desejos, um convite para explorar territórios desconhecidos.
Eu me sentia preso em uma teia invisível, tecida por olhares e silêncios. A presença da minha esposa, sentada ao meu lado, era um lembrete constante da realidade, da linha tênue que separava a amizade da traição. Mas a atração por MC era como uma força da natureza, irresistível e avassaladora.
Em um determinado momento, a conversa se acalmou, e um silêncio constrangedor pairou sobre a mesa. Foi nesse instante que nossos olhares se encontraram novamente, por mais tempo do que o habitual. Seus olhos, antes cheios de curiosidade, agora brilhavam com uma intensidade que me deixou sem fôlego. Um sorriso sutil, quase imperceptível, curvou seus lábios, e eu soube, naquele momento, que a barreira havia sido rompida.
A noite se transformou em um turbilhão de emoções. Cada palavra, cada gesto, cada olhar era carregado de significado. A tensão era palpável, e a atração entre nós, inegável. A presença de nossos parceiros, antes um obstáculo, agora parecia apenas adicionar uma camada extra de emoção, um desafio a ser superado.
A dança de olhares continuou, e a noite se estendeu, repleta de momentos roubados, de toques acidentais e de promessas sussurradas. A atmosfera era eletrizante, e a certeza de que algo estava prestes a acontecer pairava no ar. A linha entre a amizade e o desejo se tornou cada vez mais tênue, e eu me vi à beira de um abismo, pronto para me entregar a uma paixão proibida.
De repente, ela disse: “Vou ao banheiro” e olhou para mim como se fosse um convite. Aquele olhar, penetrante e cheio de promessas, incendiou algo dentro de mim. Deixei-a sair, sentindo o perfume dela se dissipar no ar, um rastro de desejo que me atormentava. Alguns minutos depois, a tensão já insuportável, disse: “Vou pegar um whisky no bar lá fora…”
A caminhada até o bar foi uma tortura. Cada passo parecia durar uma eternidade, cada respiração um lembrete da proximidade dela. A imagem dela, com aquele olhar, martelava em minha mente. Chegando ao bar, a encontrei. Ela estava lá, como se me esperasse, encostada na parede, a luz fraca do ambiente realçando seus contornos. O sorriso que ela me dirigiu foi a confirmação de que o desejo era mútuo, uma faísca que acendeu a chama.
Sem hesitar, puxei-a para um canto do local, um recanto de sombras onde a visibilidade era escassa, mas a intimidade, intensa. Aproximei-me, envolvendo-a em meus braços, sentindo a maciez da sua pele sob meus dedos. O contato físico foi como um choque, uma corrente elétrica que percorreu meu corpo. Abracei-a com força, sentindo o calor do seu corpo contra o meu, a pulsação acelerada dos nossos corações.
Certamente ela sentiu meu membro já ereto entre suas coxas. A ereção, impaciente, pulsava contra a calça, um sinal claro do meu desejo. Ela suspirou, um som rouco que ecoou no silêncio do nosso pequeno mundo. Aquele suspiro, uma mistura de excitação e apreensão, foi a senha para o que viria a seguir.
“Precisamos voltar logo”, ela disse, a voz embargada, quase um sussurro. A urgência na sua voz, a necessidade de esconder o que estava acontecendo, só aumentou a intensidade do momento. A adrenalina corria solta, o tempo parecia ter parado.
Agarrei-a com mais força, como se fosse penetrá-la ali mesmo, naquele instante, naquele canto escuro. O desejo, antes contido, agora explodia, uma força bruta que me dominava. A vontade de possuí-la, de sentir seu corpo unido ao meu, era avassaladora. A proximidade, o toque, o cheiro, tudo conspirava para nos levar ao limite.
A respiração dela se tornou mais rápida, os lábios entreabertos, os olhos brilhando na penumbra. Senti a sua mão deslizar pela minha nuca, puxando-me para mais perto, como se quisesse fundir nossos corpos em um só. O beijo, intenso e desesperado, selou o pacto. A língua, explorando a boca, aprofundando o desejo, a promessa de algo maior.
A necessidade de saciar a sede, de satisfazer o desejo, era quase palpável. Aquele canto escuro, o barulho distante, tudo se tornou irrelevante. Só existíamos nós dois, naquele momento, naquele espaço, consumidos pela paixão. A promessa de prazer, a antecipação do êxtase, pairava no ar, nos envolvendo em um véu de desejo.
Ainda ali, naquele canto, o beijo se intensificou, as mãos explorando os corpos, a promessa de uma noite inesquecível. A urgência, a necessidade, a paixão, tudo se misturava, criando uma explosão de sensações. O tempo, a realidade, tudo se dissolveu, restando apenas o desejo, a promessa, a espera. A noite prometia ser longa, intensa, inesquecível. Aquele canto escuro, o ponto de partida para uma aventura proibida, um encontro marcado pelo desejo e pela paixão.
No entanto, isso teria que esperar. Retornamos, primeiro ela, pouco tempo depois, também retornei à mesa. Percebi que minha esposa e o amigo conversavam animadamente também.


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