A amiga III (última)
A chama da luxúria dançava em meu peito, alimentada pela presença constante de Mona Lisa. Morena, com longos cabelos negros que emolduravam um rosto de beleza estonteante, ela era a personificação da tentação. Seu corpo, esculpido com perfeição, exibia curvas que desafiavam a gravidade, uma bunda espetacular que prometia prazeres inomináveis, seios no ponto, convidativos, e uma boca… ah, aquela boca. Era um convite silencioso, um sussurro de promessas que me atormentavam dia e noite.
A linguagem corporal de ML era um enigma que eu ansiava decifrar. Seus olhares demorados, os sorrisos sutis, a forma como ela se aproximava, tudo indicava um interesse que ecoava o meu. Era uma dança perigosa, um jogo de sedução que nos aproximava perigosamente, apesar das barreiras que nos separavam.
A lembrança do abraço que compartilhamos ainda me aquece. Ela se aproximou, envolvendo-me em seus braços com uma força que me surpreendeu. Senti seus seios pressionando contra meu peito, uma sensação que me eletrizou. O perfume dela, uma mistura inebriante de flores e mistério, invadiu meus sentidos. Foi nesse momento que a barreira da razão se rompeu. Sussurrei em seu ouvido, a voz rouca e carregada de desejo: “Ah, se eu te pego…”
Ela respondeu com um aperto ainda mais forte, um sorriso que prometia mais do que palavras poderiam expressar. Aquele sorriso, a forma como seus olhos brilhavam, me deram a certeza de que ela sentia o mesmo. Aquele abraço foi um pacto silencioso, uma confissão de desejos reprimidos.
A memória daquele momento me assombra. A sensação do meu membro, ereto e pulsante, pressionado contra suas coxas, na altura da sua vulva. Aquele contato fugaz, mas intenso, foi como um choque, uma faísca que acendeu um fogo que agora arde em meu interior. Aquele toque, mesmo que breve, foi a confirmação de que a atração era mútua, que o desejo nos unia em uma teia invisível, mas poderosa.
A questão, a cruel ironia, era que ambos éramos casados. Nossos votos, as promessas feitas, a vida que construímos, tudo isso nos impunha limites. Mas o desejo, como uma força da natureza, não se importava com regras ou convenções. Ele nos impelia, nos consumia, nos levava à beira do abismo.
As noites se tornaram um tormento. Sonhava com ela, com seus beijos, com o toque de sua pele. Imaginava nossos corpos entrelaçados, a intensidade do prazer, a entrega total. A culpa, a razão, tentavam me afastar, mas o desejo era mais forte. Ele me dominava, me aprisionava em um ciclo vicioso de anseio e frustração.
Evitava-a, tentava manter distância, mas a atração era magnética. Nossos olhares se cruzavam, carregados de promessas e perigos. As conversas se tornaram mais sutis, repletas de insinuações e duplos sentidos. Cada encontro era uma batalha, uma luta constante contra a tentação.
A cada dia, a situação se tornava mais insustentável. A linha entre a amizade e o desejo se tornava cada vez mais tênue. A cada olhar, a cada toque, a cada palavra, a chama da paixão se intensificava, ameaçando incendiar tudo ao seu redor.
A decisão era inevitável. Precisava escolher entre a razão e o desejo, entre a segurança e a paixão. Mas qual seria a escolha? O que o futuro reservava para nós? A resposta, eu sabia, estava nas mãos do destino, e no meu coração, que clamava por ela. A incerteza era a única certeza, e a espera, o preço a ser pago por um amor proibido.


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