Novembro 27, 2020

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Segunda Reunião

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Às vezes se surpreendia em quão diferenciadas eram as indicações de seu orientador, afinal, tinha certeza de que um bom jurista deveria ser capaz de expandir suas leituras em campos vizinhos para pensar a própria prática. Era exatamente o que ele fazia. Aquela leitura, porém levou-a à Eichmann em Jerusalém de Hannah Arendt. Bia passou os dias que se seguiram mergulhada na história do julgamento de Eichmann, a cada capítulo pesquisava os fatos narrados por Arendt, fotos, vídeos, artigos. Todo aquele universo despertou-lhe para questões que a seu ver foram tratadas un passant nas aulas de filosofia e penal. Sentiu-se tola por não ter tido a oportunidade de fazer aquelas discussões mais cedo, nos primeiros períodos. Era como se tivesse perdido no meio do caminho uma parte importante de sua formação. A sensação de incompletude estava ali novamente.

Bia se esqueceu dos prazos e só despertou em uma quinta feira, no fim da manhã, quando recebeu uma mensagem de Davi se desculpando por desmarcar a reunião de logo mais, pois se estenderia em uma audiência inicialmente simples que tornara-se “tumultuada” como descreveu.

“Olá Davi, está tudo bem. Não se preocupe. Não tenho muito, concretamente, o que apresentar” – confessou – “mas gostaria de debater alguns pontos assim que possível”, em seguida sugeriu que combinassem outra reunião: “Gostaria de mais um tempo para terminar algumas leituras. Semana que vem será complicada para mim. Podemos combinar daqui quinze dias?” – Bia sentiu-se muito irresponsável ao perceber que estava com grande volume de trabalho atrasado e por cair na armadilha de iniciar um livro tão viciante como Eichmann em meio a tantas tarefas. A resposta de Davi veio rápida e enigmática: “Se precisa de mais tempo, use mais tempo”. Sem ponto final ou emoji, Bia não conseguiu decifrar as entrelinhas daquele curto texto, não sabia se ele estava bravo, apressado ou se apenas se queria dizer exatamente o que escreveu. Preferiu se agarrar à última opção, pois o volume de trabalho que teria pela frente não lhe dava alternativa diversa.

*

Aquela tarde de sábado estava fria e cinzenta, o clima perfeito para um chocolate quente acompanhado de uma boa série debaixo do cobertor. Foi exatamente o que Bia resolveu fazer. Decidiu que se daria este presente após mais de cinco horas de trabalho ininterruptas.

Havia se refugiado no pequeno sítio da família localizado no município de Caeté, próximo a Serra da Piedade, longe do minúsculo e barulhento apartamento que morava no centro de Belo Horizonte. Aproveitou a calmaria para colocar sua pesquisa em dia, já que ninguém da família estaria lá naquele final de semana.

Abriu o assento retrátil do sofá cinza situado no canto direito do cômodo que conjugava sala, área de jantar e cozinha. Enquanto ligava a TV, ficou matutando como a temperatura do interior era diferente da cidade. Poucos quilômetros de distância e, não fosse o piso de madeira da casa, estaria congelando naquele momento.

Finalmente escolheu uma série para iniciar, se fosse boa ia maratonar. Pela sinopse, elegeu a Unbelievable. “Poucos capítulos, ótima para matar até a madrugada” – calculou Bia.

Lá pela metade do segundo capítulo, um pouco distraída, resolveu olhar as mensagens no celular, ficara incomunicável quase o dia todo e imaginou que pudesse ter perdido alguma coisa nesse meio tempo. “Oi Bia, o que vai fazer hoje à noite? Anima um drink?”, era Davi, cerca de 40 minutos atrás. “Oi Davi, estou em Caeté, sentindo muito frio para voltar para BH. Um vinhozinho não cairia nada mal, mas hoje vou declinar do convite”. No instante seguinte Davi respondeu com um emoji triste. “A não ser que você anime de vir aqui tomar vinho no frio”, respondeu Bia com um emoji de gargalhada. “Na verdade animo sim”, devolveu o mesmo emoji que Bia acabara de enviar. “Então venha”, respondeu Bia enviando sua localização. “Ok”, concluiu Davi.

Bia não colocou muita fé que Davi realmente iria sair de BH para encontrá-la no “meio do mato” como costumava se referir ao sítio para os amigos. Continuou assistindo a série, e, ao longo da hora seguinte conferia o celular de vez em quando na dúvida de que Davi pudesse aparecer.

Já estava escuro quando ouviu o celular tocando:

– Oi Davi.

– Estou aqui na porta.

– O.. O.. Oi..? – Bia demorou um pouco para acreditar que ele realmente estava lá, levantou-se no susto e foi até a enorme janela da sala que dava uma visão parcial da rua de terra onde ficava o sítio –Espera um minuto que vou abrir – apontou o controle para o portão eletrônico que em poucos segundos se abriu permitindo a entrada de Davi. – Tem uma escada à esquerda da parte coberta da garagem, suba por ela – alertou Bia, para evitar que ele se molhasse com a leve chuva que caia no momento.

Sem tempo para arrumar o cabelo, prendeu-o num coque no alto da cabeça e logo se dirigiu a porta da cozinha para receber o convidado:

– Oi querida, como está? – cumprimentou Bia com um beijo estalado oferecendo-lhe uma garrafa de vinho tinto.

– Oi Davi, estou ótima e você? Entre, por favor – disse Bia enquanto olhava atenta o rótulo do vinho escolhido pelo convidado – Huum, Catena Malbec. Ótima escolha!

– Adoro esse vinho – comentou feliz por ter agradado a anfitriã.

– Bem arriscado ter escolhido um argentino, esse é um dos poucos rótulos argentinos que eu realmente gosto. Tenho preconceito – divertiu-se Bia.

– Por quê? Os argentinos são muito bons, já tive excelentes experiências sensoriais com vinhos desse país. Mas bebo qualquer coisa… – revelou.

Bia sorriu discordando e convidou Davi a se sentar-se à mesa da cozinha enquanto ela preparava o serviço da bebida – E se eu te disser que temos ótimas produções de vinho em aqui em Minas Gerais? – indagou Bia.

– Se você não me contasse eu jamais saberia – comentou curioso.

– Pois é, este aqui é de uma vinícola chamada Estrada Real – disse enquanto retirava um Syrah do pequeno suporte de garrafas situado em uma das bancadas da cozinha. – Este aqui é de Goiás, uma preciosidade – retirou um Bandeiras Barbera, da Pirineus, para exibir para o convidado.

– Eu realmente não iria saber dessa informação se não me contasse – reiterou Davi enquanto examinava os rótulos entregues por Bia.

– Enfim, tudo isso para dizer que sim, nós temos “enoprodução” boa no Brasil, e não, ela não está concentrada somente da região sul. Aliás – disse Bia abrindo a geladeira – vou te servir um espumante feito no vale do São Francisco, em Pernambuco. Nordestino e bem honesto! – exclamou enquanto segurava firme a garrafa levemente inclinada com a mão esquerda, usando a direita para soltar delicadamente a gaiola de arame para só em seguida girar a rolha – abrir espumante é uma arte! – disse Bia segurando firmemente com o polegar a parte superior da rolha, sendo possível apenas ouvir um “shhhhh” vindo da garrafa quando finalmente fora aberta.

– Cheers!

– Huuummm! Bem refrescante! – foi a primeira observação de Davi.

– É honesto em tudo, como eu disse, inclusive no preço: menos de R$30, 00 a garrafa – revelou Bia – eu adoro espumante, sou suspeitíssima, e não me importo com o clima frio – disse apagando as luzes da cozinha enquanto se dirigiam a sala.

– Aliás, o clima aqui é bem diferente de BH, senti isso quando estava chegando perto da serra e tive que ligar o ar quente do carro – emendou Davi.

– De fato aqui é gelado. À noite é pior, por isso meu pai resolveu colocar ar quente nos quartos.

– Ameniza – disse Davi ao se dirigir à janela da sala – que vista linda!

– Gosto de vir pra cá para recarregar a bateria. Precisava me concentrar em você sabe o quê – aludindo ao trabalho acadêmico pendente – ao invés disso, o que eu tô fazendo? Bebendo! Mas ó, estou quase em dia com meu dever de casa!

– Cara chato esse orientador. Eu fujo desse pessoal! – encenou Davi.

A brincadeira foi suficiente para Bia entender que ele não estava ali como orientador, mas como companhia numa noite fria de sábado à noite. Falaram um pouco mais sobre vinhos, e, para Davi, Bia se revelou uma caixinha de surpresas:

– Não conhecia seu lado enóloga, Bia!

– Enóloga, não, curiosa! – corrigiu – … Murilo Regina foi o primeiro a aplicar uma técnica capaz de modificar o ciclo natural das videiras, é uma técnica de dupla poda, que busca, no fim, produzir vitis viníferas (uvas que são boas para produção de vinho). Isso começou em uma região de altitude elevada, que tem o clima perfeito para a aplicação dessa técnica e o cara se inspirou em um botânico francês que se aventurou nessas terras no início do século XIX – concluiu Bia.

– Estou curioso mesmo para saber do onde você tira todas essas informações…

– Minha vida não se resume a estudar direito, Davi. Já trabalhei com tudo o que possa imaginar, e, no meio do caminho descobri a paixão por vinhos.

– Eu sou muito monolítico. Trabalhei minha vida toda com direito, nem sei o que é atuar em outra área. Morreria de fome!

– Falando em fome, vou trazer algo para comermos, senão vamos ficar bêbados de estômago vazio – Bia tinha toda razão em se preocupar, a garrafa do espumante que tomavam já estava quase vazia.

Até aquele momento nenhum dos dois comentaram nada acerca do que fizeram algumas semanas atrás. Havia, porém, desde a troca de mensagens, uma tensão sexual instalada no ar. O fato de terem se encontrado naquelas circunstâncias cedo ou tarde os levaria a uma segunda vez.

– Amo queijo! – comentou Bia oferecendo ao convidado enquanto encaminhavam-se novamente para a sala.

– Humm, gostei – comentou Davi após petiscar um dadinho de edam.

As luzes da sala estavam baixas e a TV no pause, indicando que Bia havia interrompido o que estava fazendo para receber Davi, que perguntou:

– O que você está assistindo?

– Ah, uma minissérie chamada Unbelievable. Estou terminando o quarto capítulo!

– Já assisti e não vou dar spoiler, é realmente muito boa! Animo continuar com você de onde parou – ofereceu-se Davi.

– Então senta aqui – gesticulou, batendo com a mão aberta no espaço vazio do sofá à sua esquerda para que Davi se acomodasse – estou morrendo de curiosidade – confessou.

Davi dirigiu-se ao local indicado por Bia, que se achegou ao lado dele, oferecendo parte de seu cobertor. Com a mão direita na perna esquerda de Bia, Davi aproximou o rosto do pescoço dela e observou com sinceridade:

– Seu cheiro é uma delícia…

Bia correspondeu sorrindo e se virando para que ele continuasse a senti-la. Gostava da sensação de ser tocada pelo olfato, sobretudo por adorar fazer o mesmo. Mais ousada que o normal, talvez pelo efeito da bebida, sentou-se em no colo de Davi, de frente, como no último encontro. Queria beijá-lo e o fez longamente, passando os dedos entre a parte de trás dos cabelos dele, com firmeza suficiente para impor o ritmo. Naquela posição podia sentir a deliciosa ereção de Davi, combinada com os beijos, a deixava cada vez mais úmida.

O hálito malbec de Bia combinado com o seu cheiro deixava Davi cada vez mais excitado. Sentia-se atraído, sobretudo pela inteligência daquela mulher que estava diante de si. Queria entrar naquela mulher multifaces, sentir seu mel molhá-lo, desordená-lo completamente, lhe fazer perder os sentidos.

Bia tirou a blusa de Davi, convidando-lhe a ficar à vontade. Beijou-lhe o pescoço, peito, barriga até ser impedida pela calça, de ficar pele com pele. Sem pudor algum tirou-lhe o restante da roupa e continuou trabalhando com a língua. Ao mesmo tempo sentia as mãos de Davi percorrer o seu corpo.

– Quer ver como eu estou? – perguntou Bia prestes a tirar o próprio vestido.

– Adoraria.

Em poucos segundos Bia surgiu maravilhosa somente com uma calcinha de renda azul-marinho cobrindo apenas seus curtos pelos pubianos.

Davi explorou cada pedacinho daquele corpo. Tinha uma tara especial pelos seios de Bia, que considerava lindos desde a primeira vez que se viram, muito antes de imaginar que teria oportunidade de tê-los nus para si. A cada chupada sentida por Bia em seus seios, mais alto gemia. Sentiu-se sortudo ao perceber que aquela era uma de suas zonas erógenas, sentiu o sexo daquela fêmea pulsar em suas mãos, estava encharcada.

– Aaaahnnn que tesão! – balbuciou Bia enquanto recebia uma mordida mais forte em um dos seios.

– Gosta?

– Adoro, não para! – suplicou.

Voltaram a se beijar, momento em que Davi se encarregou de tirar a calcinha de sua anfitriã. Seus planos de chupá-la foram interrompidos quando ela, dominadora, sentou firme em seu pau, sem lhe dar outra opção.

– Ahhhhhhhhh! – Bia gemeu alto.

– Uhhhhhhh… – reagiu Davi, que se não tivesse concentradíssimo, teria gozado naquele momento. Aquela primeira entrada, para ele, era uma das partes mais gostosas no sexo – que boceta deliciosa! – foram as únicas palavras audíveis naquele momento.

De costas para Davi, Bia rebolava em um ritmo leve enquanto movimentava os quadris para cima e para baixo. Ele a segurava pela cintura usando ambas as mãos. Aquela visão fez com que ele desejasse aquele cuzinho, que piscava a cada sentada.

Bia percebeu que Davi não ia durar muito se continuasse naquele ritmo, assim, escolheu que aquela era a hora perfeita para chupá-lo. Adorava sentir o próprio gosto combinado com o do parceiro.

Primeiro, passou a língua por toda a cabeça do pau de Davi. Parou na glande, observou os espasmos que estava tendo com aquelas sensações. Sentia um prazer indescritível ao se perceber capaz de proporcionar tamanho prazer ao parceiro.

– Mama mais vai! – ordenou.

Bia respondeu aprofundando a chupada, sugando o mastro de Davi e fazendo movimentos circulares com as mãos, fazendo questão de encará-lo olho no olho.

As mãos de Bia eram surpreendentemente ágeis, sua boca úmida, macia e quente na medida certa. Dominava bem o que estava fazendo. Davi mal podia crer no que estava sentindo.

Bia estava incansável! Sentiu que Davi estava próximo de gozar, então ela o estimulou com as mãos, fitando-o com um sorrisinho de canto de boca safado. Não precisaram dizer nada. Queria que ele jorrasse seu leite em seu rosto e para isso, manteve, propositalmente, a boca um pouco aberta para sentir o gosto da porra de Davi, que veio aos jatos, espalhando-se pelo cabelo, testa, olhos, nariz e boca, escorrendo pelo pescoço e peito. Sorriu safadamente, e, provando que também sabia ser boa anfitriã, concluiu:

– Bem vindo, convidado! – levantou e se dirigiu ao banheiro do quarto principal.

Tomaram um longo banho juntos. Não se desgrudaram um só minuto. A visão do corpo molhado de Bia fazia com que a recuperação de Davi fosse acelerada. Acariciou desde a nuca até o cóccix, concentrando-se mais nessa região específica por ter enorme desejo de saber como seria foder aquele cuzinho. Naturalmente, nunca abordaram o assunto, mas Davi resolveu testar as reações dela a seus toques. Sua maior questão no momento era entendê-la sem ser invasivo. Dedilhou-a delicadamente com o polegar direito, enquanto tocava-lhe os seios com a mão esquerda e beijava-lhe a nuca.

– Tá brincando com fogo, cuidado! – alertou Bia.

– Delícia! Adoro fogo! – reagiu Davi enquanto ensaboava as costas de Bia.

– A vida é muito doida mesmo! – comentou Bia se virando para Davi enquanto pegava a toalha para se secar – Pensei que não teria companhia hoje. Me enganei feio – disse entregando-o uma toalha.

– Se enganou sim. Deixou a minha sala aquele dia e não nos vimos mais. Depois, ainda fugiu da última reunião!

– Acho que estamos diante de uma distorção de fatos. Não fuigi da última reunião, fui solenemente desconvidada.

– Furou comigo na última reunião, ora! – insistiu Davi entre risadas.

– Não é verdade. E o ônus da prova é seu.

– Errada. Eu sou a parte hipossuficiente da relação e posso provar.

Bia sorriu discordando com a cabeça, mas Davi continuou a brincadeira:

– Por que a anfitriã discorda, afinal?!

– Porque o convidado está querendo persuadir a anfitriã com uma retórica barata – referiu a si mesma em terceira pessoa demonstrando que sabia o que o visitante havia feito no verão passado – o convidado me parece bem atento aos detalhes e é incrivelmente habilidoso na arte de ludibriar seus interlocutores.

– Só estou te apresentando a interpretação legal correta. Acho que as leis devem ser cumpridas à risca, não importando seu conteúdo…

– Oh.. Ohh.. Oi?! – o interrompeu incrédula com a última frase – discordo plenamente! – foi tão enfática que franziu a testa e arregalou os olhos – sabe o que já aconteceu no mundo em nome do cumprimento de leis stricto sensu?

– Abrindo divergência, doutora, por quê? Acabou de dizer que estou me opondo a um comando legal ao, não sem razão, inverter o ônus da prova em minha “performance discursiva”. Agora invoca a necessidade de ponderação às normas para que sejam cumpridas? – confrontou-a com um sorrisinho irônico.

– Ok. Se devemos admitir e exigir o cumprimento da lei independente de seu conteúdo pode-se admitir, sem qualquer análise crítica, “Estados de Direito” como o Nazista. Pensemos na complexa discussão que gira em torno do cumprimento de normas do terceiro reich. Ora, os oficiais e subordinados de todas os níveis estavam cumprindo stricto sensu, até onde pudemos apreender, o que lhes era demandado, e, em última análise, o que o ordenamento jurídico daquele lugar admitia como legal.

– Ora, vejamos, essa é uma discussão complexa que girou em torno dos oficiais alemães da II Guerra em um momento histórico muito particular. Sei aonde você quer chegar – retrucou Davi entrelaçando os dedos das mãos.

– Foi um momento muito particular da história – concordou – entretanto, as leis não estão em um campo etéreo e nem são vazias de sentido em momento nenhum na história. Não é correto julgar o passado com anacronismos, mas é muito necessário revisitá-lo e entendê-lo, não pasteurizá-lo. O que se fez ontem, ano passado ou há trinta anos são parte do passado, as nossas leis são parte desse passado também. O que temos que fazer? Interpretações conforme a Constituição (que também pertence ao passado). O que nos resta, afinal? Olhar para o seu conteúdo, olhar para a sociedade a que se destina, criar critérios que respeitem a dignidade da pessoa. No fim, não é só a forma que interessa, mas seu conteúdo, sobretudo.

– É esse o ponto. Se o conteúdo de uma lei diz sobre seu momento histórico, podemos admitir que os conteúdos de outras leis em outros momentos sejam legítimos pelo seu contexto.

Davi estava tentando colocar Bia contra a parede porque achava sexy o modo como ela defendia suas ideias. Percebeu que seu tesão naquela mulher estava justamente em sua capacidade de provocá-lo. Sempre afiada, possuía incrível aptidão de prender seu interlocutor. Para ele, aquilo era tão lindo quanto sexual.

– Não necessariamente. Não é porque o ordenamento jurídico aceita uma lei absurda que ela deve ser emoldurada e cumprida cegamente. Talvez em Kant haja uma vulgarização da obediência às leis. Não é raro ouvir alguém com esse posicionamento citá-lo. É óbvio que há historicidade em tudo. Mas, seria admissível considerar legítima uma lei com princípios antissemitas, racistas e misóginos somente pela justificativa da historicidade?

– Penso que não. Mas, seguindo a sua linha de raciocínio, sim – provocou Davi.

Por alguns segundos Bia ficou irritada pela patente deturpação de sua fala promovida por Davi. Se recompôs e decidiu enfrentar a questão.

– Ok, seguindo a minha linha de raciocínio, Kant admite que todo homem cumpridor da lei também é um legislador em potencial, sobretudo no momento em que começa a agir, é capaz de encontrar os princípios que poderiam (e deveriam!) ser princípios por lei. Afinal, temos que suas ações não se balizam apenas pelo seu momento histórico, mas por sua moral, assim, o cumpridor da lei deve ter consciência de seus atos e as gerações futuras não devem analisá-lo apenas como produto de seu tempo, mas pelos princípios da razão e da moral, que são atemporais. Nessa linha, sem qualquer medo de estar cometendo anacronismo, considero importante que revisitemos criticamente as leis passadas.

– Então, partamos do ponto em que o conteúdo das leis devam ser submetidas a uma crítica futura. O que é aceitável o que o observador do futuro diz ou o que o legislador do passado fez? O que não é aceitável? Quais são os limites?

– Nunca deveríamos nos furtar de fazer essas perguntas! Na régua Kantiana, da qual não sou adepta, me parece equivocado imiscuir-se da própria responsabilidade e fazer cumprir leis injustas – arrematou Bia acariciando o peito de Davi.

Olhando nos olhos de Bia com profunda sinceridade, Davi observou:

– Me furtei de fazer muitas discussões com você… Te desejei de tantas formas nos últimos dias! – seus olhos brilhavam e enquanto falava pensava no quanto adorava misturar sexo, álcool e filosofia, e em como momentos como aquele eram raros.

– Quero saber exatamente qual versão minha habitou seus pensamentos…

– Você já deve imaginar a resposta! – ruborizou direcionando o olhar para o próprio pênis, novamente ereto.

Bia o acariciou levemente, da base até a cabeça em movimentos circulares sentindo-o melar aos poucos.

– Você estava nos meus pensamentos mais sujos! – respondeu Bia a própria pergunta.

– Adorei saber disso – disse Davi acariciando os cabelos de Bia – te quero inteira!

– Adoro! – respondeu Bia mordendo os lábios enquanto era penetrada por trás pelos dedos de Davi.

– Curte mesmo, safadinha?! Tô louco por isso!

– Te disse para não brincar com fogo, Davi…

Bia se levantou e foi em direção ao banheiro. Alguns segundos depois surgiu com um tubo de gel lubrificante nas mãos e um sorrisinho que entregava suas intenções.

Davi estava ansioso por aquele momento, queria sentir toda a intensidade daquela Vênus poderosa em seu pênis. Passou bastante gel na entradinha do cu de Bia, brincou e massageou com os polegares aquele espacinho apertado durante um tempo até que ela se acostumasse.

– Me fode, vai! – ordenou Bia – vou acabar contigo, safado!

Foi prontamente atendida. Davi começou lentamente inserindo a cabeça do pênis no cu de Bia. Ela rebolava, pedindo por mais. A visão daquela mulher de quatro se abrindo toda para Davi era definitivamente muito melhor que qualquer coisa que ele tivesse imaginado antes.

Bia curtia ser invadida daquela forma, robolava mais a cada estocada e entre gemidos altos pedia por mais. O som dos corpos se chocando soava como música para seus ouvidos.

Davi a segurou pelo pescoço e apertou levemente. Adorava aquela brincadeira de enforcar a parceira. Ao perceber que ela havia gostado, aumentou a intensidade o que a levou a um orgasmo forte, com muitos espasmos pelo corpo. Então, ele continuou e gozou naquele cuzinho apertado logo em seguida.

Caíram na cama sorrindo satisfeitos, mal conseguiam acreditar que aquela noite estava mesmo acontecendo.

– Uau, que delílica, Davi! Quero mais disso…

– Não te disse que eu era a parte hipossuficiente aqui?!

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  1. anônimo

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