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O Refúgio Proibido
O meu relacionamento com a Clara tinha acabado há três meses. Foram dois anos intensos, cheios de paixão e descobertas, mas que terminaram num mar de lágrimas e ressentimento. Ela não tinha conseguido lidar com a pressão da família, com os olhares de julgamento, e tinha terminado tudo com uma conversa de cinco minutos por telefone. Eu fiquei destroçada, a sentir que o meu mundo tinha desabado. Nos meses que se seguiram, afundei-me num luto profundo, evitando tudo o que me pudesse lembrar dela. Mas havia uma coisa que eu não conseguia evitar: a lembrança da mãe dela, a Sónia.
A Sónia sempre foi diferente. Tinha 55 anos, mas uma energia que a fazia parecer uma mulher na casa dos trinta. Cabelos castanhos com alguns fios grisalhos que ela ostentava com orgulho, olhos verdes cheios de inteligência e uma sensualidade natural que emanava de cada gesto, de cada olhar. Durante o meu relacionamento com a Clara, a Sónia foi sempre a única pessoa da família que me tratou com genuína bondade. Havia uma cumplicidade estranha entre nós, um entendimento que ia para além da minha relação com a sua filha. Depois da ruptura, foi a única que me mandou uma mensagem a dizer que sentia muito e que eu sempre seria bem-vinda.
A mensagem ficou guardada no meu telemóvel, um pequeno carvão quente no meio das cinzas do meu coração. Durante semanas, resisti ao impulso de responder. Mas uma noite, depois de uma garrafa de vinho sozinha em casa, a saudade e uma curiosidade doentia falaram mais alto. Escrevi-lhe. “Olá, Sónia. Obrigado pela mensagem. Espero que esteja tudo bem consigo.” A resposta veio quase instantaneamente. “Adriana, querida! Que bom ouvir de si. Estou bem, mas preocupada consigo. Gostava de a ver. Tem tempo para um café?”
Encontrámo-nos num pequeno e discreto café longe do centro da cidade. Ela estava deslumbrante, com um vestido simples que contornava o seu corpo maduro de uma forma que me fez prender a respiração. A conversa fluiu com uma naturalidade assustadora. Falamos de tudo, menos da Clara. Falamos de livros, de viagens, da vida. E a cada momento, eu sentia algo a crescer dentro de mim, uma atração visceral e proibida que eu sempre reprimira. Ela contou-me que se tinha divorciado há alguns anos e que estava a redescobrir-se, a explorar desejos que tinha adormecido durante o casamento. Havia um brilho nos seus olhos quando me olhava, um convite silencioso que eu não tinha a coragem de aceitar.
No final do café, ela convidou-me para ir a sua casa ver umas fotografias de uma viagem recente. “A Clara não está, está a passar o fim de semana com o pai”, disse ela, e as suas palavras pairaram no ar, carregadas de significado. O meu coração batia com tanta força que eu tinha a certeza que ela conseguia ouvir. Aceitei.
A casa era exatamente como eu me lembrava: acolhedora, cheia de luz e com o cheiro subtil do seu perfume. Ela serviu-nos um copo de vinho e sentámo-nos no sofá da sala, com o álbum de fotografias entre nós. Mas as imagens rapidamente se tornaram num pano de fundo irrelevante. A nossa proximidade era eléctrica. Os nossos joelhos tocavam-se, e cada contacto casual era como um choque. Eu já não conseguia disfarçar o meu tremor, a minha respiração ofegante.
“Adriana”, ela sussurrou, a sua voz um seda quente. “Há tanto tempo que eu desejo isto.”
Não me lembro quem se moveu primeiro. Só me lembro dos nossos lábios se encontrarem num beijo que não era de consolo, mas de pura e dura fome. Foi um beijo lento, profundo, exploratório. A sua língua sabia a vinho tinto e a liberdade. As minhas mãos tremeram ao percorrer o seu rosto, o seu pescoço, até se perderem no decote do seu vestido. Ela gemeu contra a minha boca, um som baixo e rouco que me incendiou por completo.
“Quero-te, Adriana. Quero-te há tanto tempo”, ela confessou, entre beijos ardentes no meu pescoço, as suas mãos a deslizarem pelas minhas costas, puxando-me para mais perto.
Levantámo-nos, entrelaçadas, e caminhámos para o quarto dela, um santuário que eu nunca tinha ousado pisar. Era um espaço dela, cheio da sua essência, e o facto de eu estar ali, prestes a profaná-lo com o nosso desejo, era incrivelmente excitante. À luz suave do candeeiro de mesa, ela despiu-se com uma lentidão deliberada, os seus olhos nunca deixando os meus. E quando ficou nua, eu quase caí de joelhos. O seu corpo era uma obra de arte. Os seus seios, maduros e pesados, com mamilos castanhos e erectos, convidavam à boca. A curva suave da sua barriga, as suas ancas largas, e por fim, o triângulo escuro do seu sexo, já húmido e prometedor.
“É a sua vez”, ela ordenou suavemente.
As minhas mãos tremiam tanto que mal conseguia desapertar os botões da minha blusa. Quando finalmente fiquei nua diante dela, senti-me vulnerável e poderosa ao mesmo tempo. Ela deitou-se na cama e abriu os braços para mim. “Vem cá.”
Desci sobre ela, cobrindo o seu corpo com o meu, e os nossos beijos tornaram-se mais desesperados, mais urgentes. A minha boca desceu do seu pescoço para os seus seios, e eu chupei os seus mamilos com uma fome que me assustou, alternando entre um e outro, lambendo, mordiscando suavemente. Ela arqueava as costas, os seus gemos enchendo o quarto, as suas mãos a agarrarem o meu cabelo. “Sim, minha querida, assim… não pares.”
A minha viagem continuou para sul. Beijei cada centímetro da sua pele, saboreando o seu sabor salgado, a textura suave da sua barriga. Quando finalmente cheguei ao seu sexo, parei por um momento, apenas a admirar. Era lindo. Os lábios externos carnudos, já escorrendo do seu próprio desejo, e o clítoris inchado e exposto, a pulsar. Olhei para cima e os nossos olhos encontraram-se. Havia uma permissão total no seu olhar, misturada com uma ansiedade tremenda.
Baixei a minha cabeça e mergulhei.
O primeiro contacto da minha língua no seu clítis fez com que o seu corpo inteiro estremecesse. Ela gritou, um som gutural e cru que veio das profundezas do seu ser. O seu sabor era intenso, terroso, adocicado, a essência pura de uma mulher no auge do seu desejo. Eu perdi-me naquele sabor, naquele cheiro. Lambi, chupei, explorei cada dobra, cada recesso da sua vulva com uma devoção absoluta. Enfiei a minha língua dentro dela, sentindo as suas contracções à minha volta, e depois regressava ao seu clítis, focando-me nele com uma precisão cirúrgica. Ela gritava, praguejava, torcia os lençóis com as mãos. “Ai, meu Deus, Adriana… que língua… não pares, por favor, não pares!”
A minha mão deslizou para baixo, para a entrada do seu ânus. Estava húmida, contraída. Sem pedir licença, lubrifiquei o meu dedo com os seus próprios fluidos e pressionei suavemente a sua rosinha. Ela gemeu, um som de surpresa e de prazer absoluto. “Sim…”, sussurrou, ofegante. “Faz isso.”
Foi a deixa que eu precisava. Enquanto a minha língua continuava a sua dança frenética no seu clítis, o meu dedo começou a explorar o seu ânus, penetrando-o lentamente, sentindo os seus músculos apertados a cederem à minha invasão. A sensação de a estar a possuir por completo, de a estar a levar a um êxtase que ia para além de tudo o que ela alguma vez tinha experimentado, era intoxicante. Ela estava a tremer incontrolavelmente, os seus quadris a bombarem contra a minha boca, os seus gritos a tornarem-se cada vez mais agudos, mais desesperados.
“Vou gozar!”, ela gritou, e eu redobrei os meus esforços, focando toda a minha atenção no seu clítis, ao mesmo tempo que o meu dedo se movia dentro do seu cu. O seu orgasmo foi uma explosão. O seu corpo arqueou violentamente, um grito prolongado e rasgado saiu da sua garganta, e uma onda de fluidos quentes inundou a minha boca. Ela continuou a tremer, espasmos violentos que a percorriam enquanto eu a lambia suavemente, prolongando a sua onda de prazer até ela se desfazer completamente, ofegante e suada, na cama.
Deitei-me ao seu lado, a sentir o seu corpo ainda a palpitar contra o meu. O quarto cheirava a sexo, a suor e a libertação. Ela virou-se para mim, os seus olhos verdes cheios de lágrimas e de uma ternura avassaladora. “Ninguém… ninguém me fez sentir assim”, ela confessou, a voz rouca. “Ninguém.”
Beijei-a suavemente, saboreando o seu próprio sabor nos seus lábios. Não precisávamos de palavras. Naquele momento, naquele quarto, não éramos a ex-namorada e a mãe da ex-namorada. Éramos apenas duas mulheres que tinham encontrado um refúgio de puro, proibido e absoluto prazer uma nos braços da outra. E eu sabia, com uma certeza que me queimava as entranhas, que aquela era apenas a primeira noite de muitas.


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