A marca do desejo
O suor escorria pela minha nuca, misturando-se com o cheiro do meu próprio perfume barato. Na tela do celular, mais uma mensagem do meu marido: “Chego em 20 minutinhos, amor. Precisa de algo?”. Um emoji de coração seguia a pergunta. Senti um vazio no peito, uma pontada de culpa que rapidamente se dissipou ao lembrar da última vez que tentamos fazer amor. Ele, todo cuidado, tentando beijar meu pescoço com uma delicadeza que me dava agonia. Eu, seca como o deserto do Saara, fingindo um gemido abafado enquanto contava os quadrados do teto. Ele acha que eu tenho um problema, que não lubrifico. O problema, meu querido diário, é que você não me faz ferver. Não há desejo que resista a tanta… gentileza.
Foi então que o som da moto ecoou no portão. Rafael. Meu melhor amigo. O homem que, por anos, foi meu porto seguro, meu ombro amigo, e que agora, nos últimos meses, se tornou a fonte de todos os meus pensamentos proibidos. A atração não foi instantânea. Foi crescendo, um tumor maligno e delicioso, alimentado por cada olhar que demorou um pouco mais do que devia, cada abraço que apertou além da conta, cada piada de duplo sentido que nos fazia corar como adolescentes.
Abri a porta antes que ele tocasse a campainha. Ele estava de jeans e uma camiseta branca simples, colada ao corpo suado. O cheiro dele era diferente: suor de trabalho, gasolina e um leve traço do desodorante que eu sabia que ele usava. Um cheiro de homem, não de menino bem-comportado.
“Precisa de ajuda com o computador de novo, Martha?”, ele perguntou, passando por mim, seu braço roçando o meu seio de um jeito que não pude acreditar ser acidental.
“Sim, ele está muito lento”, menti, fechando a porta e trancando-a com a chave, um ato que não passou despercebido por ele. Seus olhos escuros pousaram em mim, pesados, interrogativos.
Ele se sentou na cadeira da minha sala, diante do notebook que funcionava perfeitamente. Eu me aproximei por trás, fingindo apontar para algo na tela, mas meu corpo se colou às suas costas. Senti os músculos das suas costas enrijecerem. A respiração dele acelerou. O ar no ambiente ficou espesso, eletrizante.
“Martha…”, ele disse, num tom de alerta, mas sua voz saiu rouca, quebrada.
“Cala a boca, Rafael”, sussurrei no seu ouvido, minha mão descendo do seu ombro, passando pelo seu peito, até pousar sobre a virilha. Ele estava duro como pedra, um volume impressionante e familiar que eu já tinha sentido através das roupas em outros abraços. Mas agora era diferente. “Eu não aguento mais. Eu preciso.”
Ele se virou de golpe na cadeira, seus olhos eram duas brasas negras. “E o seu marido?”
“Não interessa”, cortei, puxando-o pela camiseta e cravar meus lábios nos dele.
O beijo não foi doce. Foi uma luta de línguas, dentes, uma fome acumulada por anos de amizade transformada em pura lascívia. Suas mãos agarram meus cabelos, puxando minha cabeça para trás com uma força que me fez gemer de dor e prazer. Ele me levantou como se eu não pesasse nada e me jogou no sofá, cobrindo meu corpo com o dele. Roupas voaram. Minha blusa, seu sutiã, sua camiseta. Sua boca era um incêndio no meu pescoço, nos meus seios, mordiscando meus mamilos até eu gritar.
“Eu sempre te quis, sua puta”, ele rosnou no meu ouvido, sua mão arrancando minha calça e minha calcinha num único movimento brutal. “Sempre. Todo santo dia.”
Minhas pernas se abriram para ele, mas quando senti a cabeça do seu pau, enorme e latejante, pressionando minha entrada, uma ideia perversa cruzou minha mente. Não era o suficiente. A vagina era o território do meu marido, do sexo comedido e infrutífero. Eu queria dar a Rafael algo que não era de ninguém, algo que era só meu, e só para ele.
“Não”, respirei, empurrando seus quadris para trás com uma força que surpreendeu a ambos.
Ele parou, confuso, com os olhos vidrados de tesão. “O que foi?”
“Não é por aí”, eu disse, rolando de bruços no sofá, erguendo meu quadril e oferecendo a ele minhas nádegas. “Quero que você me coma pelo cu, Rafael. Só por aí.”
Um gemido animal escapou de sua garganta. “Martha… você tem certeza?”
“Tenho. E vai ser agora.”
Ele cuspiu na própria mão, lubrificando seu membro colossal, e depois cuspiu no meu ânus, um jato de saliva quente que me fez estremecer. A pressão foi imediata e avassaladora. Ele não era delicado. Era um homem possesso, tomado por um desejo que, assim como o meu, estava sendo reprimido há muito tempo. A cabeça do seu pau forçou a entrada, e eu gritei num misto de agonia e êxtase. Era uma dor dilacerante, uma sensação de estar sendo rasgada ao meio, mas era uma dor real, viva, que me fazia sentir mais existente do que em todos os momentos de falsa placidez do meu casamento.
Ele entrou completamente, um único e brutal movimento, e ficou parado por um segundo, ambos ofegantes, eu me adaptando à sua circunferência monstruosa. Então, começou a se mover. E foi infernal. Cada bombada era uma punição e uma recompensa. Cada investida mais fundo me fazia sentir preenchida de uma maneira que eu nem sabia ser possível. Eu gemia, afundava o rosto no sofá, minhas unhas cavando o tecido. Ele me segurava pelos quadris, seus dedos marcando minha carne, suas coxas batendo contra as minhas com um som úmido e obsceno.
“Você é tão apertada, caralho”, ele rosnava, suor pingando de seu rosto nas minhas costas. “A mulher mais gostosa que já comi. Sua amiga safada.”
Eu estava perto do orgasmo, uma onda de prazer tão intensa que ameaçava me despedaçar. Mas meu corpo, traiçoeiro, reagia à violência da penetração. Senti um calor, uma pressão no meu intestino, um aviso que eu ignorei, perdida no turbilhão de sensações.
“Vou gozar, Rafael! Goza comigo, por favor!”, eu supliquei, minha voz estrangulada.
Ele aumentou o ritmo, suas investidas ficaram descontroladas, frenéticas. Com um urro abafado, ele enterrou-se até o fundo em mim e eu senti o jorro quente da sua porra jorrando dentro do meu ânus. Foi o gatilho para o meu próprio orgasmo, um terremoto que percorreu todo o meu corpo, fazendo-me tremer e contrair violentamente ao redor do seu pau ainda pulsante.
Naquele êxtase, no auge da contração, algo cedeu. Minha mente, nublada pelo prazer, não conseguiu controlar o meu corpo. Um espasmo involuntário, uma liberação. Senti algo quente e pastoso escorrer de mim, sobre o seu pau ainda dentro de mim, sobre suas bolas, sobre o sofá.
O silêncio que se seguiu foi cortado apenas pela nossa respiração ofegante. Aos poucos, a realidade foi voltando. Rafael, ainda sobre mim, pareceu congelar. Sua respiração presa. Ele se retirou lentamente, e o som foi úmido, diferente. O cheiro no ar mudou, tornou-se mais orgânico, mais primitivo.
Ele se levantou. Eu me virei, me encolhendo, envergonhada de repente, e vi. Seu pau, ainda semi-ereto, estava manchado. Manchado de marrom. Minhas fezes. Eu o tinha sujado. A vergonha queimou meu rosto, mas era uma vergonha misturada com uma ponta de perversa satisfação.
Ele olhou para o próprio corpo, depois para o sofá, e então para o meu rosto. Seus olhos não mostravam nojo, nem raiva. Havia uma estranha expressão de posse, de conquista brutal. Ele levantou a mão, a mesma que havia segurando meus quadris com tanta força, e olhou para os dedos, que também estavam levemente sujos.
“Olha o que você fez”, ele disse, sua voz era um fio de voz rouco. Ele não estava bravo. Parecia… impressionado. “Você me marcou, Martha.”
Ele pegou a camiseta dele do chão e, com movimentos lentos e deliberados, começou a limpar o próprio pau, os testículos, as coxas. Ele não desviava o olhar de mim. Era como se estivesse realizando um ritual.
“É isso que a gente é agora”, ele continuou, jogando a camiseta suja no chão. “Não é mais só amizade. É isso. É sujeira, é porra, é merda. É real.”
Eu me sentei no sofá, meus joelhos tremendo, o líquido dele e os vestígios do meu acidente escorrendo pela minha coxa. A mensagem do meu marido ainda estava piscando no celular, esquecido na mesa. O mundo lá fora continuava, casto e ordenado. Mas aqui, na minha sala, cheirava a sexo animal e a pecado. E eu, pela primeira vez em anos, me sentia completamente viva. Limpei-me com um lenço que estava na mesa, vesti minha calcinha e minha calça, sentindo a dor profunda e deliciosa entre as minhas pernas como um troféu.
Rafael se vestiu em silêncio, sem pressa. Antes de sair, ele se aproximou de mim, pegou meu queixo com a mão que cheirava a mim e a ele, e me deu um beijo curto e possessivo.
“Isso não acabou”, ele afirmou, não perguntou.
Eu balancei a cabeça, negando com um fio de voz. “Não.”
Quando a porta se fechou atrás dele, eu me deixei cair no sofá, no meio da bagunça que tínhamos feito. A culpa não veio. Em seu lugar, uma sensação de poder. Eu tinha sujado o homem que me dominou. Eu o tinha manchado com a minha própria imundície. E ele tinha gostado. Ele tinha aceitado. Enquanto meu marido me tratava como uma boneca de porcelana, Rafael me tratava como a mulher de carne, osso e vísceras que eu era. E naquele momento, olhando para a mancha no sofá e sentindo o seu cheiro em mim, eu sabia que faria tudo de novo. E de novo. Até não sobrar nada da Martha certinha que um dia eu fingi ser.


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