O Vício dos Pés com Minha Amiga
Ah, essa história. Bom, a gente não fala mais sobre isso. Mas aconteceu mesmo, foi real.
Eu tinha uns vinte e dois anos. Ela, a Carol, tinha vinte e um. A gente era grudada desde o ensino médio. Quando passamos na faculdade, na mesma cidade, foi natural. “Vamos dividir um apê, Carol!” “Vamos, Adri!”. E foi assim. Um apartamento minúsculo de dois quartos perto do campus, aquele cheiro de mofo e tinta nova misturado.
A gente fazia tudo junto. Supermercado, lavanderia, assistir série até tarde comendo pipoca queimada. Era minha irmã, minha melhor amiga. A gente não tinha segredo. Ou pelo menos eu achava.
O negócio começou sem eu nem perceber. Eu chego cansada da aula, caio no sofá, aquele sofá de veludo cor de mostarda que a gente comprou em um brechó. Tiro o tênis, os pés doíam pra caralho. A Carol sentava na outra ponta, pegava um livro, e do nada ela falava:
“Deixa eu ver esse pé aí, Adri. Tá inchado.”
Ela puxava meu pé pro colo dela. Primeiro era só isso. Ela apoiava meu pé nas pernas dela, meio que distraída, enquanto lia. Os dedos dela ficavam descansando em cima do meu tornozelo. Eu não ligava. Era gostoso, relaxante.
Com o tempo, aquilo virou ritual. Eu chegava, tirava o tênis, e esticava as pernas pro colo dela. Ela nem perguntava mais. Ela parou de ler. Começou a prestar atenção.
As mãos dela eram pequenas, mas firmes. Ela começava a apertar a sola do pé, com os polegares fazendo círculos. Doía um pouco, mas depois aliviava tudo. Um alívio que subia pela perna, pela espinha.
“Você tem o pé muito tenso, Adri. Relaxa.”
Eu relaxava. Fechava os olhos. Ela massageava cada dedo, puxava devagar, esticava. Depois subia pro calcanhar, apertava aquele osso. Eu soltava uns gemidos baixos, sem querer.
“Assim tá bom?”
“Tá ótimo. Não para, por favor.”
Ela não parava. As sessões foram ficando mais longas. De repente, ela aparecia com um vidro de óleo de amêndoas. “É pra hidratar”, ela dizia. Derramava um pouco na mão, esfregava pra esquentar, e passava nos meus pés. A mão dela ficava escorregadia, deslizando entre os dedos, na planta, no tornozelo. O barulho do óleo era baixinho, úmido. O cheiro doce enchia a sala.
Eu ficava derretida no sofá. Às vezes eu abria os olhos e via o rosto dela. Ela estava concentrada, olhando pro meu pé como se estivesse consertando algo delicado. Os lábios dela entreabertos, a respiração calma.
Foi ficando mais ousado. Ela descobriu que eu era sensível na curva do pé, logo abaixo dos dedos. Quando ela apertava ali, com o polegar bem no meio, meu corpo inteiro dava um pulo. Eu dava uma risadinha nervosa.
“Gostou desse ponto, né?”, ela falava, com um sorrisinho de canto.
“Caralho, Carol. Que sensação esquisita.”
“Esquisita boa?”
“…Boa.”
Ela começou a fazer isso de propósito. Aperta ali, e eu me contorcia toda. Eu tentava não gemer, mas saía. Um “ai” curto, abafado. Ela ria baixinho, e repetia.
Um dia, eu tinha ido fazer o pé. Cortei as unhas, lixei, passei aquele creme. Tava apresentável. Naquele dia, eu tinha brigado com meu então ficante. Um idiota. Cheguei em casa puta da vida, joguei a bolsa no chão.
“Que foi?”, a Carol perguntou, já sentando no lugar dela no sofá.
“Homem. Sempre homem. Um bando de filho da puta.”
“Vem cá.”
Eu deitei, joguei as pernas pra cima do colo dela. Ela nem usou óleo naquele dia. Ela só pegou meu pé direito e segurou.
“Nossa, Adri. Seu pé tá lindo hoje. Foi no salão?”
“Fui. Pelo menos alguma coisa saiu como eu queria hoje.”
“Tá perfeito. De verdade.”
Ela falou isso de um jeito diferente. A voz ficou mais baixa, mais cheia. Ela passou a ponta dos dedos pelo peito do pé, bem leve, quase um cócegas. Eu me encolhi.
“Para com cócegas!”
“Não é cócegas. É carinho.”
Ela inclinou a cabeça. E do nada, ela levou meu pé mais perto do rosto dela. E deu um beijo. Na lateral, perto do osso.
Eu ri. Foi um riso de nervoso, de surpresa.
“Que isso, doida?”
“Beijinho pra melhorar o dia.”
Ela deu outro. E outro. Beijinhos leves, rápidos. Depois, ela abriu a boca um pouco e colocou os lábios em cima do meu dedão. Ficou assim um segundo. O calor da boca dela envolveu meu dedo. Eu parei de rir.
Ela tirou os lábios e olhou pra mim. O quarto tava escuro, só a luz do abajur. Eu não disse nada. Meu coração bateu forte uma vez, duas.
Ela voltou. Dessa vez, ela deu uma mordidinha. Bem de leve, na carne macia do dedão.
“Carol…”
“Calado. Relaxa.”
Ela mordeu de novo, um pouco mais forte. Não doía. Era… estranho. Estimulante. Eu senti um formigamento subir pela perna. Meu pé se mexeu na mão dela.
Ela viu que eu não ia parar. E foi avançando.
Abre a boca e põe o dedão todo dentro. Só a ponta. A língua dela passou por baixo da unha, depois em cima. O dedo ficou todo molhado, quente. Ela tirou, foi pro indicador. Chupou devagar, como se fosse um pirulito.
“Porra…”
Eu não consegui falar mais nada. Meu corpo afundou no sofá. Eu não era mais eu. Eu era só aquela sensação. A língua dela, circulando cada dedo, sugando de leve. O som baixo. O calor.
Depois ela lambeu a sola. Uma passada longa, da ponta do calcanhar até a base dos dedos. A língua dela era macia, mas firme. Ela fez isso várias vezes. Lambeu entre os dedos, aquele espaço que ninguém nunca toca. A respiração dela ficou mais pesada.
Eu tava com muito calor. Tirei o casaco. Só tinha uma camiseta velha e um short por baixo. Meus próprios seios estavam durinhos, esfregando no tecido da camiseta. Eu sabia que era errado. Era minha amiga. Mas meu corpo não ligava.
“Vira”, ela pediu, a voz rouca.
Eu virei, de bruços. Ela puxou meu outro pé pra perto dela. Começou tudo de novo. Beijos, mordidinhas no calcanhar. Aí ela usou as duas mãos. Uma segurava meu pé, a outra massageava a sola enquanto ela chupava os dedos. Era muito estímulo. Eu enterrei o rosto no braço do sofá. Meu quadril pressionou contra o assento. Eu tava com um tesão absurdo, molhada, e ela nem tinha tocado em mais nada do meu corpo.
Ela percebeu. Como ela percebeu, eu não sei. Mas ela falou, com a boca cheia do meu dedinho mindinho:
“Se mexe, Adri. Eu sei que você tá gostando.”
Eu mexi. Esfreguei o corpo no sofá, devagar. A pressão no clitóris era boa, mas não era suficiente. Eu queria mais. Queria que aquela língua fosse em outro lugar.
“Isso. Assim”, ela falou. Ela chupou mais forte, sugando. A mão dela que estava massageando desceu, apertou meu tornozelo, depois subiu um pouco pela minha panturrilha. As unhas dela arranharam de leve.
“Carol, porra…”
“Fala.”
“Continua. Não para, pelo amor de Deus.”
Ela não parou. Ela devorou meu pé. Lambendo, chupando, mordendo tudo. Era como se ela tivesse fome. Ela babou tudo, o óleo antigo, a saliva, tudo virou uma mistura brilhante na minha pele. Eu gozei. Foi sem querer, esfregando no sofá, com a boca dela no meu pé. Um orgasmo surdo, que me fez tremer as pernas e prender a respiração. Ela não parou enquanto eu tremia. Só diminuiu o ritmo, ficou fazendo carinho com a língua.
Quando acabou, eu fiquei deitada, sem ar. Ela soltou meu pé devagar. Colocou ele de volta no colo dela. Ficou acariciando, só com a ponta dos dedos, como se nada tivesse acontecido.
A gente ficou em silêncio um tempão. O único som era a nossa respiração, ainda ofegante.
No dia seguinte, ela me acordou com café na cama. A gente não falou nada. À noite, quando eu sentei no sofá, ela veio e sentou no lugar dela. Olhou pra mim.
“Os pés tão doendo?”
“Um pouco.”
“Vem cá.”
E estiquei meus pés pra ela. Foi assim por meses. Todo santo dia, ou quase. Virou nossa rotina. Eu chegava em casa, e já sabia. Ela sentava, eu colocava meus pés no colo. Às vezes era só massagem. Às vezes era aquela coisa da língua, dos beijos. Eu nunca pedia. Ela nunca perguntava. Era um acordo silencioso.
Eu nunca senti vontade de beijar ela na boca, de tocar nela. Meu tesão era aquele, só. O tesão de ser cuidada, de ser devorada daquele jeito específico, proibido. O tesão de saber que a minha melhor amiga ficava molhada só de chupar meus pés. Eu via o jeito que ela ficava depois, com os olhos vidrados, os lábios inchados. Ela também gostava.
Nunca passou disso. Um dia ela conheceu o Rafael. Dois meses depois, eu comecei a sair com o Vinícius. Os namoros foram ficando sérios. A gente passou a ter menos tempo no apartamento, só as duas. A rotina foi morrendo.
Uma noite, ela dormiu na casa do Rafael. No dia seguinte, ela não sentou no sofá. E eu não estiquei meus pés.
A gente se formou. Ela se casou com o Rafael. Eu me mudei com o Vinícius. A gente ainda é amiga. Se fala no grupo, marca encontro uma vez por mês, com os maridos. A Carol teve um filho. Eu fui madrinha.
Nunca, em nenhum desses encontros, a gente tocou no assunto. Nunca. Às vezes, quando a gente tá sentada numa mesa de bar, e eu tiro o sapato por baixo da mesa porque tá me apertando, os olhos dela vão direto pro meu pé. Só por um segundo. Depois ela olha pro lado, puxa outro assunto.
E eu finjo que não vi. E a vida segue. Mas às vezes, sozinha em casa, depois do banho, eu olho pros meus pés. E eu lembro.


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