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A gaveta das amigas
A gente morava junto já fazia um ano, mas ainda se tratava como namorados. Aquela noite na casa da Júlia começou inocente: cerveja, conversa, risada alta na sala. Eu nem vi quando ele sumiu pro banheiro.
Só descobri dias depois, mexendo na gaveta dele atrás do carregador. Lá estava ela: uma calcinha preta de renda, suja, com aquele cheiro inconfundível de mulher. Eu segurei, cheirei sem querer e o corpo reagiu antes da cabeça. A raiva veio logo em seguida.
Coloquei ele contra a parede da cozinha, a calcinha no rosto dele.
— Me explica isso
Ele não negou. Contou que, enquanto a gente conversava, ele entrou no banheiro, viu o cesto de roupa suja, reconheceu a calcinha da Júlia e simplesmente guardou no bolso. Disse que o cheiro o deixou de pau duro na hora. Eu gritei. Chamei de doente, de nojento. Peguei minhas coisas e fui dormir na casa da minha mãe. Nem olhei pra ele.
De madrugada sonhei com ele deitado na nossa cama, a calcinha da Júlia colada no nariz, batendo punheta. Eu acordei molhada, a calcinha grudada, o coração batendo forte. Me toquei pensando nisso e esperei amanhecer e voltei pra casa.
Cheguei cedo, ele estava acordado, preocupado. Eu não falei nada. Só tirei a calcinha da gaveta e fui até a cama, sentei em cima dele e empurrei o pau pra dentro de mim ainda meia bomba.
— Cheira — eu disse, empurrando a calcinha contra o nariz dele. — Cheira a porra da Júlia enquanto me fode.
Ele engoliu o cheiro e me fodeu como se estivesse com fome. Eu gemi o nome dela no ouvido dele. Ele gemia de volta. Naquela semana a gente transou todo dia. A calcinha ficava no travesseiro, no meu rosto, no dele, enrolada no pau antes de entrar em mim. A gente falava o nome dela o tempo todo. “Imagina se a Júlia soubesse…” “Se ela visse a gente assim…”
A mania nasceu ali.
Uma semana depois fui na casa da Camila. Enquanto ela fazia café, entrei no banheiro e peguei uma calcinha rosa no cesto. Ainda úmida. Guardei na bolsa. Em casa ele me esperava de pau duro. Coloquei a calcinha nova no rosto dele e subi em cima. A gente gozou falando o nome da Camila e como eu queria ver ele comer ela sem camisinha.
Na festa que eu dei em casa só consegui uma limpa: a da Beatriz, branca, de algodão. Ainda assim ele cheirou como se fosse ouro. Eu usei ela por baixo do vestido a noite inteira e ele me fodeu no banheiro, a calcinha puxada pro lado, gemendo baixo pra ninguém ouvir.
A mais perigosa foi a da mulher do meu irmão. Fomos almoçar lá. Ela tinha saído pro mercado. Eu entrei no quarto, abri a gaveta e peguei uma preta de microfibra. Cheirava a sabonete e a ela. Em casa a gente quase não falou. Só usou. Eu de quatro, ele cheirando a calcinha enquanto me comia, repetindo o nome dela.
Depois veio o sutiã da Larissa. Peitos enormes, o bojo ainda marcado. Ele enterrou o rosto nele enquanto eu chupava o pau dele. O biquíni da Amanda veio numa viagem de praia,eu tirei do varal enquanto ela tomava banho. O cheiro de sol, cloro e buceta ainda estava lá.
A coleção cresceu. Uma gaveta só delas. Algumas sujas, algumas limpas, algumas ainda com cheiro forte de uso. A gente escolhia uma toda noite. Eu vestia, ele cheirava, a gente fodía falando o nome da dona. Às vezes eu gozava só de sentir o tecido contra o clitóris enquanto ele me comia por trás.
Agora a gente está pensando em vender. Anunciar online como “calcinhas usadas de amigas reais”, mandar com o cheiro delas junto do meu cheiro, e depois recomeçar a coleção do zero. Roubar de novo. Cada uma. Cada cesto. Cada gaveta.
Somos um casal bem doente.


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