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Final de semana no sítio
O sol da manhã atravessava as cortinas da sala, desenhando listras douradas no chão de madeira. Eu ainda estava me arrumando, passando a mão pelo cabelo enquanto me olhava no espelho. A camiseta preta caía justa nos ombros, realçando as tatuagens que correm pelos meus braços – histórias gravadas na pele, que só conto quando a cerveja tá gelada e o papo é bom.
Na noite anterior, o Diego, meu amigo de longa data, me ligou com um pedido diferente: levar a esposa dele, a Naiara, até o sítio da família dela. Ele ia viajar a trabalho, e, aparentemente, meu velho sedã azul era a última esperança. Ri sozinho. Ou ele confiava demais em mim… ou tava desesperado.
Cheguei na casa deles, uma casinha simples, aconchegante. Toquei a campainha e quem abriu foi a Naiara. O sorriso dela tinha aquele tom ambíguo, entre a inocência e a malícia. Usava um vestidinho de algodão leve, curto o bastante pra me distrair – e bastante justo pra me fazer perder a concentração.
“Pronta pra aventura, motorista?” ela soltou, brincando.
Dei risada, aquele meu riso fácil, desarmado. “Só se você prometer não reclamar da minha playlist.”
Ela passou por mim e o perfume cítrico dela ficou no ar, me atingindo direto. Me lembrei de que isso era só um favor. Só um favor pro Diego.
No carro, com a cidade ficando pra trás, o papo começou leve – trânsito, séries ruins, bobagens. Até que ela soltou: “E tu, Leandro… tá feliz nessa vida de solteiro? Ou tá faltando alguma coisa?”
O jeito como ela falou “alguma coisa” me fez suar. Mas mantive o tom descontraído: “Solteiro é bom, mas às vezes falta aquele… fogo, sabe?”
Ela riu. E entre risadas, deixou escapar que o Diego era ótimo, mas parecia mais casado com o trabalho que com ela. Aquilo bateu fundo.
“Um cara como o Diego deixando uma mulher como você na mão?” soltei, provocando.
Antes que a resposta viesse, o carro deu um tranco e morreu com um barulho feio.
“Merda,” murmurei, encostando no acostamento.
Fui olhar o motor. Sol quente na nuca, mão suja de graxa… e Naiara, encostada no capô, me lançando piadinhas: “Já pensou em ser mecânico? Tá sexy assim sujo.”
Dei risada. Mexi aqui, ajustei ali. O motor tossiu, voltou à vida.
“Pronto, princesa, teu coche vai te levar pro castelo.”
Chegando no sítio, o carro morreu de novo. Dei de ombros. A Naiara sorriu: “Tá vendo? Até teu carro quer ficar comigo.”
Os pais dela vieram nos receber, simpáticos. E aí veio o convite: “Por que ele não passa a noite aqui?” – ideia da própria Naiara, com um sorriso por cima do ombro que não deixava margem pra inocência.
Na cozinha, café passado na hora e bolo saindo do forno. Enquanto conversávamos, sentia a perna dela roçando na minha sob a mesa. De leve. Mas presente. Quando os pais se recolheram, ela se esticou, levantando os braços, e o vestido subiu. Curvas impecáveis.
“Vem, te mostro teu quarto,” disse.
No quarto de hóspedes, ela olhou pela janela e sugeriu: “Uma fogueira mais tarde. Um vinho… só nós dois.” Meu coração acelerou. “Tô dentro. Onde pego a lenha?”
“Galpão lá atrás. Espera, vou me trocar.”
Enquanto organizava minhas coisas, vi pela porta entreaberta do quarto ao lado. Ela tirava o vestido. Fiquei parado. Calcinha vermelha minúscula, moldando aquele corpo bronzeado. Vesti um short e uma regata, voltou como se nada fosse.
“Vamos caçar lenha, motorista?”
No galpão escuro, ela agarrou meu braço. “Tô com medo do escuro.”
“Medo ou desculpa pra grudar em mim?” brinquei.
Pegamos a lenha, montamos a fogueira. Ela trouxe o vinho. Sentamos perto do fogo, joelhos quase se tocando. O vinho soltou a língua. Falamos de desejos. E eu via no olhar dela que algo ali já tinha passado do ponto.
Ela esticou os braços. “Tá quente… vou dar um mergulho no açude.”
Caminhou até o fundo do quintal. Desabotoou o short. A calcinha vermelha de novo. Pulou com a regata e tudo. O tecido colou no corpo. Mamilos marcados.
“Vem, Leandro! Tá com medo de se molhar ou tá só curtindo a vista?”
Tirei a camiseta. “Se eu tirar tudo, você não aguenta.”
“Sonha, motorista,” respondeu, mas os olhos desceram por mim quando tirei a bermuda. Cueca branca molhada já marcava tudo.
Na água, brincadeiras, risos, esbarrões… até que parei. Segurei o pulso dela. Puxei. “Esse jogo tá perigoso.”
Ela não recuou. Beijei. Primeiro lento. Depois, com fome.
Minhas mãos subiram pela regata molhada. As dela, curiosas, exploravam meus braços. Puxei-a pra mim. Ela sentiu meu pau duro contra o quadril e gemeu baixinho.
Abaixei a calcinha dela. Ergui-a pela cintura. Ela me envolveu com as pernas. Entrei nela devagar, dentro da água fria. O calor do corpo dela me incendiava.
Ela gemia no meu ouvido. O ritmo aumentou. Os dois explodimos juntos, ali mesmo, dentro d’água, como se o mundo tivesse parado.
Depois… silêncio. E peso.
“Isso foi um acidente, Leandro. Não era pra acontecer.”
“Me desculpa. Eu… também não sei o que deu em mim.”
Voltamos pra casa, roupas molhadas grudando no corpo. Já no quarto, ela segurou meu braço.
“Não quero dormir sozinha. Posso ficar contigo?”
Assenti.
Deitamos na cama de solteiro. O corpo dela colado no meu me deixou duro de novo. Ela sorriu.
“Você não cansa, né?”
Virou-se. Me beijou. Abaixei a calcinha de novo. Entrei nela de lado, devagar, pra não fazer barulho. Os gemidos dela, contidos, me enlouqueciam. Gozamos juntos, tremendo, abafando tudo no travesseiro.
Depois… outro silêncio.
“Isso não pode mais acontecer,” ela disse.
“Última vez,” concordei. Mas a gente sabia. Era uma promessa frágil.
Na manhã seguinte, o mecânico consertou o carro. Café, bolo, conversa amena. Mas o clima… era outro. Carregado.
“Tô indo. Quer carona?”
“Vou ficar mais uns dias. Pensar,” disse ela, com um sorriso meio triste.
Na saída, tocou meu braço. O toque demorou. “Se cuida, motorista.”
“Você também, princesa.”
Entrei no carro. Liguei o rádio. A estrada me levou de volta pra cidade. Mas o cheiro dela, o gosto dela, o olhar… ficaram comigo. E aquela promessa de “última vez”… ecoava na cabeça, mais fraca a cada quilômetro.
Fim.


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