Abril 26, 2026

5 Visões

Abril 26, 2026

5 Visões

O peso da escolha

0
(0)

A chuva não dava trégua. Batia contra as janelas como um coração descompassado — exatamente como o de Cecília.

Ela estava de pé agora, andando de um lado para o outro, incapaz de ficar parada. Havia algo dentro dela que não cabia mais no silêncio. Algo que crescia cada vez que olhava para Taiane.

E Taiane… continuava ali, observando.

Calma por fora. Mas os olhos… os olhos denunciavam tudo.

— Você vai continuar fugindo de mim? — a voz de Taiane veio baixa, firme, atravessando o espaço entre elas.

Cecília parou.

Virou-se devagar, como se aquele simples movimento exigisse coragem.

— Eu não estou fugindo… — disse, mas a própria voz falhou.

Taiane deu um passo à frente. Depois outro.

— Então por que parece que você está sempre prestes a ir embora?

Aquilo atingiu Cecília de um jeito inesperado. Não era só desejo. Nunca tinha sido só isso. Era medo. Era intensidade demais. Era sentir como nunca antes.

— Porque quando eu fico… — Cecília começou, a respiração irregular — …eu sinto tudo de uma vez.

O silêncio que veio depois foi pesado. Quase palpável.

Taiane parou a poucos centímetros dela. Tão perto que Cecília podia sentir o calor da sua respiração, mas ainda havia aquela distância mínima — cruel — que nenhuma das duas cruzava.

— E isso te assusta? — Taiane perguntou, mais suave agora.

Cecília riu sem humor, os olhos brilhando.

— Me desmonta.

Por um instante, pareceu que Taiane ia dizer algo. Mas não disse. Em vez disso, aproximou-se de vez.

Não houve pressa. Houve escolha.

Quando suas mãos encontraram os braços de Cecília, o toque não foi apenas físico — foi um pedido silencioso, uma pergunta sem palavras. Cecília não recuou. Pelo contrário. Aproximou-se também.

O espaço entre elas desapareceu, mas a tensão… a tensão só aumentou.

Era como se cada segundo se esticasse, como se o tempo estivesse esperando — testando até onde elas aguentariam.

— Você pode ir embora agora — Taiane sussurrou, a voz tão próxima que quase se misturava com a respiração de Cecília. — Eu não vou te impedir.

Mas Cecília não se moveu.

Os olhos dela estavam fixos nos de Taiane, intensos, vulneráveis.

— Eu não quero ir.

E aquilo… aquilo mudou tudo.

O beijo que veio depois não foi imediato. Foi construído no limite. No quase. No desejo contido até não caber mais.

Quando finalmente aconteceu, foi como romper uma represa. Não havia mais controle — mas ainda havia cuidado. Sempre havia.

As mãos de Cecília tremiam levemente ao segurar Taiane, não por hesitação, mas pelo peso do que sentia. Taiane percebeu. Sempre percebia.

Ela desacelerou o momento, encostando a testa na de Cecília, respirando junto, como se tentasse ancorá-la ali.

— Fica — murmurou.

E dessa vez não era uma sugestão. Era um pedido.

Cecília fechou os olhos, deixando tudo que sentia transbordar naquele silêncio carregado. O medo ainda estava ali. Mas agora vinha junto com algo mais forte. Escolha.

Quando abriu os olhos novamente, não havia mais fuga. Só intensidade.

E as duas sabiam — aquilo não era só um momento.

Era o começo de algo que ia mudar tudo.

O que achaste desta história?

Clique numa estrela para o classificar!

Pontuação média 0 / 5. Contagem dos votos: 0

Até agora, nenhum voto. Seja o primeiro a avaliar esta história.

Deixe um comentário

Também pode estar interessado em

nosso maior perversão é um segredo (Parte 1)

relatoseroticos.es

22/11/2015

nosso maior perversão é um segredo (Parte 1)

Transando com a amiga no chuveiro

anônimo

16/01/2020

Transando com a amiga no chuveiro

CELESTE II

relatoseroticos.es

14/12/2010

CELESTE II
Scroll to Top