Por
Vestido curto, calcinha molhada
Meu nome é Carol, 21 anos, designer, passo o dia sentada. Resultado: dor na lombar que parece uma faca. Médica mandou fazer fisioterapia, marquei numa clínica perto do trampo, única vaga quinta 16h. A secretária foi clara, falou pra vir com roupa confortável, tipo calça de moletom. Anotei no celular, jurei que ia lembrar.
Pois quinta-feira chegou, eu tava trabalhando em casa, corri pra resolver coisa, e quando olhei pro relógio eram 15h15. Desespero total. Abri o armário, peguei o primeiro vestido que vi, um azul clarinho, folgado, curto, ia na metade da coxa. Calcinha de renda preta tava no topo da pilha de roupa suja, joguei. Nem escovei os dentes, peguei a bolsa e saí voando.
30 minutos de ônibus – fiquei no celular respondendo e-mail, nem olhei pra mim. Cheguei na clínica faltando cinco pras quatro, ainda deu tempo de sentar na espera e respirar. Só que aí me toquei: tô de vestido. Estômago embrulhou, mas já tava lá, né?
O fisioterapeuta me chamou. Um cara novo, uns 30 e poucos, alto, voz calma. Super profissional. Entrei na sala, expliquei a dor, ele foi anotando. Aí chegou a hora de deitar na maca. Ele olhou pro meu vestido e deu uma risadinha sem graça. “A secretária avisou sobre a roupa, né? Pediu calça ou short” – ele disse, sem se atribuir a fala. Eu gelei, comecei a gaguejar que esqueci completamente, tava tão enrolada. Ele falou pra relaxar, perguntou se eu morava perto, se dava tempo de buscar uma roupa. Eu falei que morava longe, e que se remarcar ia demorar mais de semana. Ele coçou a nuca, falou que era complicado mesmo.
Aí veio o momento. Ele olhou pra mim, esperando eu decidir. Eu respirei fundo e falei que a gente podia levantar o vestido, só até a lombar. Ele hesitou, falou que meu vestido era curto, que pra chegar na lombar ia ter que subir bastante e a parte de trás ia ficar toda exposta. Perguntou se eu tinha certeza. Eu pensei: meu Deus, ele vai ver minha bunda inteira. Mas se eu remarcar, vou passar mais uma semana com essa dor. E falei que sim, que a gente ia fazer assim. Ele perguntou se eu queria fechar a porta. Eu falei que sim.
Deitei de bruços, afundei o rosto na maca. Ele pegou a barra do vestido e foi levantando devagar. Senti o tecido subindo, primeiro as coxas, depois a bunda. Quando ele parou, o vestido tava enrolado na minha cintura, e minha bunda inteira tava exposta. A calcinha de renda preta, aquela fina que mal cobre, ficou à mostra. A posição de bruços ainda empinava mais. Fechei os olhos com tanta força que vi estrelas. Pensei: por que não tava de calcinha de algodão? Pelo menos cobria mais.
Ele começou a massagem com gel. Mão grande, firme, deslizando na lombar. Eu sentia o gel frio, a mão quente. Fui relaxando aos poucos, a massagem aliviando a dor. Mas minha cabeça não parava. Eu tava ali, de bunda pra cima, vestido levantado, a calcinha rendada marcando cada curva. Cada vez que a mão dele descia perto do início da bunda, eu sentia um frio na barriga, um arrepio que não era dor. Tentava focar na respiração, no teto, em qualquer coisa.
Depois veio o ultrassom. Ele passou o aparelho em círculos na lombar, o gel escorrendo. Os círculos desciam até bem perto da divisa com a bunda, subiam, desciam de novo. E eu, de olhos fechados, sentindo o calor do aparelho, a mão firme guiando. Numa dessas, quando ele foi alcançar um ponto mais baixo, a lateral da mão dele, rente ao dedo mínimo, roçou na lateral da minha bunda. Foi rápido, tão rápido que eu nem sei se foi sem querer. Mas meu corpo se contraiu inteiro. Apertei as coxas, tentei ignorar. Fiquei com vergonha de abrir os olhos e ver a cara dele, preferi acreditar que foi acidente.
Depois ele pediu pra eu deitar de lado, com o joelho dobrado. Quando virei, o vestido já tava tão subido que ficou na minha cintura, minha bunda exposta inteira, a calcinha rendada mal cobrindo o meio. Nessa posição, olhei pro canto e vi no reflexo de um vidro minha própria bunda, a pele branca, a renda preta contrastando. Meu coração disparou.
Ele continuou o ultrassom, a mão guiando o aparelho, os círculos descendo. E eu comecei a sentir um calor que não era do aparelho. Uma tensão na barriga, uma umidade leve na calcinha, nada exagerado, mas o tecido grudou um pouco. Pensei: não, não, não, não pode ser agora. Fiquei paralisada, fingindo que não tava sentindo nada, mas meu corpo tava dando respostas que minha cabeça não queria admitir.
Ele terminou, me deu papel pra limpar o gel, virou de costas. Eu me ajeitei rápido, puxei o vestido, sentei. Rosto vermelho, respiração meio ofegante. Ele perguntou se melhorou, eu falei que sim, agradeci. Ele riu e falou pra eu tentar lembrar da roupa na próxima, que a secretária ia cobrar. Eu jurei que ia lembrar.
Saí, fui direto pro banheiro. Tranquei a porta, olhei no espelho, rosto vermelho, cabelo bagunçado, olhar de quem acabou de passar por algo. Abaixei a calcinha, passei o dedo: tava úmida. Não encharcada, mas o suficiente pra eu sentir. Passei papel, molhou. Usei o secador de mãos pra dar uma secada rápida na peça, esperei uns segundos até ficar suportável, vesti de volta, e fui embora.
No ônibus, não conseguia parar de pensar. Na mão dele roçando, no vestido levantado, na minha bunda exposta no reflexo. Cheguei em casa, fui pro chuveiro. Água fria, corpo quente. Fiquei encostada na parede, me perguntando se eu sou muito doida ou se foi só o corpo reagindo a estímulo, porque não foi nada sexual tecnicamente, mas minha cabeça transformou em.
A real é que já marquei a próxima sessão porque a dor voltou, não tem jeito. Dessa vez, juro que vou levar uma calça de moletom na bolsa. Mas confesso que, quando lembro daquela mão roçando e da sensação de estar ali, exposta, vulnerável, meu corpo dá uns calafrios que eu não sei explicar. Tô precisando de ajuda. Ou de mais sessões. Uma das duas.


Deixe um comentário
Tem de iniciar a sessão para publicar um comentário.